Fenprof diz que onda de contestação dos professores vai continuar a crescer
24 de jan. de 2023, 11:55
— Lusa/AO Online
“Aquilo que os professores
neste momento sabem é que está criada uma onda de contestação de tal
ordem que, ou o Governo percebe que tem de valorizar os professores,
respeitar os professores e dignificar a nossa profissão, ou a luta vai
continuar porque ninguém vai parar uma onda destas e nós vamos continuar
a ajudar a onda a crescer”, afirmou Mário Nogueira, que falava aos
jornalistas junto à estação ferroviária de Coimbra-B.Aquela
estação serviu como ponto de encontro de uma das três marchas em
Coimbra que irão confluir na Praça 8 de Maio, no centro da cidade, no
dia em que se cumpre a greve de professores neste distrito da região
Centro do país.Com nove organizações
sindicais envolvidas, esta greve começou no 16 de janeiro e prolonga-se
até dia 08 de fevereiro, de modo a passar por todos os distritos do
país.Mário Nogueira antevê níveis de
adesão em Coimbra superiores aos registados na segunda-feira, em Castelo
Branco, referindo que as dezenas de professores ali concentrados vindos
de várias escolas do distrito falavam em adesões acima dos 90% nas suas
escolas.“Isto demonstra que os
professores, de facto, não vão ceder e vão até onde for preciso para
serem respeitados”, vincou o dirigente sindical.Mário
Nogueira sublinhou que os docentes não irão parar enquanto os
professores continuarem a ser desvalorizados, “afastando da profissão os
jovens que terminam o secundário” e desincentivando aqueles que já a
exercem, que percebem “que nunca mais se vinculam e que vão continuar a
ter salários que não dão para pagar a despesa de deslocação a 300 ou 400
quilómetros”.“Os professores estão muito
cansados daquilo que lhes estão a fazer há muito tempo. Agora, estão
absolutamente disponíveis e nada cansados para lutarem pelos seus
direitos”, realçou.Recorrendo aos cânticos
dos professores ali concentrados, que entoavam “Coimbra é uma lição”,
Mário Nogueira salientou que “Coimbra é uma lição, até na educação”.“É isso que hoje vamos dar: uma lição ao Governo”, asseverou.Esta
greve dos professores por distritos envolve nove estruturas sindicais:
Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL), Federação
Nacional dos Professores (FENPROF), Pró-Ordem dos Professores -
Associação Sindical/Federação Portuguesa dos Professores, Sindicato dos
Educadores e Professores Licenciados (SEPLEU), Sindicato Nacional dos
Profissionais de Educação (SINAPE), Sindicato Nacional e Democrático dos
Professores (SINDEP), Sindicato Independente de Professores e
Educadores (SIPE) e Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos
Politécnicos e Universidades (SPLIU) e Federação Nacional de Educação
(FNE), que aderiu mais tarde.