Fenprof diz que modelo de remuneração dos exames afronta os professores
Exames
Hoje 11:13
— Lusa/AO Online
“A
Fenprof considera que este tratamento é uma afronta aos professores e
uma ofensa à sua inteligência e dignidade profissional”, sublinha a
federação, anunciando que vai denunciar a situação junto da Inspeção
Geral de Educação e Ciência.Em comunicado,
no qual chama ao processo de classificação das provas de exame “uma
verdadeira tragicomédia”, a Fenprof diz que “depois do caos, dos erros,
das falhas do sistema e da desorganização que marcaram este processo, o
Governo e o Ministério da Educação, Ciência e Inovação parecem querer
acrescentar uma nova dimensão ao escândalo: a forma como pretendem
remunerar o trabalho extraordinário realizado pelos professores
classificadores”.A federação classifica de
“absolutamente inaceitável” que “perante um processo que obrigou
professores a trabalhar em condições excecionais e, em muitos casos, em
dias suplementares de descanso semanal, se pretenda agora estabelecer
uma compensação assente no pagamento de apenas um euro por resposta
classificada”. Na segunda-feira, o
ministério da Educação, Ciência e Inovação informou que os professores
classificadores dos exames nacionais do secundário vão receber um euro
por cada resposta classificada e 12 euros por cada prova reapreciada. Em
comunicado, o ministério indicou ainda que os professores vão receber
10 euros por cada prova classificada em suporte físico (Geometria
Descritiva e Desenho A) e 18 euros por cada prova classificada no âmbito
de reclamação.A medida aplica-se às provas classificadas na primeira e segunda fase, bem como na época especial.Exigindo
mais equidade no processo, a Fenprof lembra que “no mesmo período de
uma hora, haverá professores que conseguiram classificar 20 itens e
outros que, pelas características das provas, pelos procedimentos
impostos ou pelas condições concretas do processo, não conseguiram
classificar mais de seis”.“Como pode o
Ministério da Educação considerar justo um modelo que cria diferenças
tão profundas na remuneração de um trabalho que foi realizado no
cumprimento de uma convocatória oficial e de uma mesma responsabilidade?
E que dizer dos professores que, por esta via, poderão receber uma
compensação equivalente a apenas seis euros por hora de trabalho”,
questiona.Lembrando que “o ministro fez
questão de assumir pessoalmente a condução deste processo e garantiu
que, perante as dificuldades criadas pelo próprio sistema, seriam
asseguradas as condições necessárias, incluindo o pagamento de trabalho
extraordinário”, a Fenprof refere que “agora, perante o evidente
falhanço do modelo montado pelo Ministério” se anuncie “uma remuneração
que, em determinados casos, poderá ficar muito aquém do valor
correspondente ao trabalho efetivamente realizado”.“O
Governo não pode exigir aos professores profissionalismo, rigor e
disponibilidade quando é o próprio Ministério que falha na organização
do processo e, depois, pretende desvalorizar o trabalho daqueles que
foram chamados a corrigir os seus erros.O ministro Fernando Alexandre deve explicações aos professores e basta de pedidos de desculpa”, acrescenta a federação.Na
segunda-feira, o ministério liderado por Fernando Alexandre realçou, na
nota de imprensa, que a adoção da classificação digital de cerca de 300
mil exames nacionais do ensino secundário "introduziu uma alteração
significativa nos procedimentos dos professores classificadores e nos
processos associados à classificação" e levou à "mobilização de um
número significativo de docentes em cada fase de realização das provas"."Importa,
por isso, reconhecer o papel dos docentes no processo de avaliação
externa, valorizando adequadamente o trabalho desenvolvido pelos
classificadores e pelos relatores. Esse reconhecimento é particularmente
necessário este ano, tendo em conta a generalização da classificação
eletrónica, processo que, sendo de elevada complexidade, decorreu com
constrangimentos que dificultaram o trabalho dos professores
classificadores", pode ler-se.O novo
modelo registou diversas falhas técnicas que atrasaram todo o processo
de correção e divulgação das classificações, sendo preciso rever o
calendário dos exames.