Fenprof desafia sindicatos a divulgar atas das reuniões com o Governo
17 de jan. de 2023, 13:13
— Lusa/AO Online
Mário
Nogueira falava numa concentração que reuniu, na Praça Joaquim de Melo
Freitas, em Aveiro, centenas de professores afetos a diferentes
sindicatos, naquela que o próprio classificou como “uma das maiores
manifestações de sempre em Aveiro”.“Vamos
divulgar as atas das reuniões negociais com o Governo e lançamos o
desafio às outras forças sindicais a fazerem o mesmo”, disse Mário
Nogueira, justificando que “não é por desconfiança, mas porque os
professores têm direito a saber o que ali se diz”.O
dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof) salientou que
defendeu “uma mesa única na ronda negocial, mas nem todos o quiseram”.“É preciso estarmos todos juntos na luta”, sublinhou.Durante
a sua intervenção na Praça Melo Freitas, Mário Nogueira disse que o
futuro da docência passa pela valorização da profissão de professor,
tornando-a atrativa, e não pela captação de quem nunca o quis ser para
dar aulas.“Hoje não há quem queira ser
professor”, disse, ilustrando que no ano passado se aposentaram 2.401
professores e são menos de metade os estudantes nos cursos de ensino,
sendo que, já este ano, serão 500 a aposentar-se só até março.Os
porquês são para aquele dirigente sindical de vária ordem, a começar
pela falta de progressão nas carreiras e de valorização profissional.“Há
quem esteja há 12 e 13 anos sem mudar de escalão”, exemplificou,
reivindicando a “contagem integral do tempo de serviço” e deixando uma
abertura ao Governo: “Façam-no, se necessário, de forma faseada como na
Madeira, mas não pode é ficar tudo igual”.A
precariedade foi outro dos temas da sua alocução, referindo ser de 46
anos a média de idades dos que entram para o quadro e estimando em mais
de 10 mil professores os que lecionam há mais de uma década sem entrar
para o quadro, pelo que o anúncio, pelo governo, de que irá integrar
cerca de cinco mil, não acaba com o problema.“Esta não é a forma de atrair os jovens para a profissão”, concluiu.Várias
foram as escolas encerradas no distrito de Aveiro, sobretudo no norte,
de acordo com as informações que foram sendo dadas pela manhã aos
manifestantes, durante a greve que terá tido uma adesão perto dos 80 por
cento, de acordo com fontes sindicais.Estão
a decorrer três greves distintas convocadas por várias organizações
sindicais. A primeira foi uma iniciativa do Sindicato de Todos os
Profissionais da Educação (STOP), que em dezembro convocou uma
paralisação por tempo indeterminado, que os professores têm cumprido de
forma parcial, a apenas um tempo de aulas, e para a qual já foram
entregues pré-avisos até 31 de janeiro.No
início do 2.º período, o Sindicato Independente de Professores e
Educadores (SIPE) iniciou uma outra greve parcial, esta ao primeiro
tempo de aulas de cada docente, que se deverá prolongar até fevereiro e
na segunda-feira arrancou uma greve total que se realiza por distritos
durante 18 dias, convocada por uma plataforma de sindicatos que incluiu a
Federação Nacional de Professores (Fenprof).Os
professores exigem melhores condições de trabalho e salariais, o fim da
precariedade, a progressão mais rápida na carreira, e protestam contra
propostas do Governo para a revisão do regime de recrutamento e
colocação, que está a ser negociada com os sindicatos do setor.