Fenprof convoca “ação nacional de luta” para 17 de abril
19 de mar. de 2021, 18:51
— Lusa/AO Online
Mário
Nogueira disse em conferência de imprensa, em Coimbra, que a Fenprof vai
também reclamar “respeito pelos professores e educadores”.“É
intenção da Fenprof não só exigir do Governo diálogo (…), como
denunciar no espaço geopolítico temporariamente presidido por Portugal
os problemas que se vivem na educação, que afetam os professores”,
adiantou Mário Nogueira, numa alusão à presidência portuguesa do
Conselho da União Europeia (UE).A
concentração nacional está marcada para 17 de abril às 15:00, no espaço
adjacente ao Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, onde, desde
janeiro, têm sido realizados “alguns dos eventos mais importantes” da
presidência rotativa da UE.Os problemas
dos docentes, segundo Mário Nogueira, “resultam do facto de o designado
diálogo social no país ser pouco mais que produto de exportação não
consumido internamente”.“Não é por falta
de abertura negocial e de propostas apresentadas pela Fenprof que os
problemas, a maior parte anteriores à atual legislatura e alguns
agravados pela pandemia, se arrastam, não sendo visíveis soluções ou
vontade política do Ministério da Educação (ME) para as encontrar”,
lamentou.O líder sindical salientou que
desde 26 de outubro de 2019, dia em que o atual Governo tomou posse, o
ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, “reuniu-se com as
organizações sindicais de professores e educadores uma única vez, em 22
de janeiro de 2020”, há um ano e dois meses.“É
verdade que o país tem vivido, no último ano, uma situação
absolutamente excecional, imposta pela pandemia, mas isso não implica
que o ME, relativamente às questões de prevenção e segurança sanitária,
negasse informação à Fenprof, como estava obrigado por lei, sobre a
situação epidemiológica nas escolas”, afirmou.Entre
outras críticas, Mário Nogueira acusou o ministério da tutela de ter
violados “normas de negociação coletiva, que estabelecem a segurança e
saúde no trabalho como objeto de negociação”, tendo também “rejeitado
discutir as propostas apresentadas” pela federação.“Da
mesma forma, a pandemia não impede o cumprimento das normas legais
sobre teletrabalho, designadamente em relação à responsabilidade da
entidade empregadora de disponibilizar, instalar e manter os
equipamentos e pagar as despesas inerentes à atividade desenvolvida
naquele regime”, defendeu.O sindicalista
disse que houve professores de grupos de risco que, “ao fim de 30 dias
de ausência por esse motivo, viram o seu salário cortado” no contexto da
pandemia da covid-19.A Fenprof alerta que
a classe enfrenta atualmente outros problemas, como os concursos de
professores, a precariedade, os horários de trabalho, a necessidade de
rejuvenescimento da profissão e o processo de municipalização da
educação.Na terça-feira, vai entregar na
Assembleia da República a petição sob o lema “Não à alegada
descentralização (municipalização) da educação”, promovida como
“oportunidade para repensar um erro que, a concretizar-se, demorará
muito tempo a emendar”.