Fenprof alerta Comissão Europeia sobre precariedade laboral dos investigadores
23 de dez. de 2021, 12:36
— Lusa/AO Online
“Existe uma diretiva, que impede os Estados de
abusar da contratação a termo e como a Comissão Europeia instou o
Governo a pronunciar-se em 60 dias sobre a aplicação dessa diretiva, a
Fenprof vai fazer chegar à Comissão Europeia um documento, que está já
em fase de elaboração”, revelou o secretário-geral da Federação
Nacional de Progessores (Fenprof), Mário Nogueira, durante uma
conferencia de imprensa para denunciar a precariedade na ciência.A
Federação Nacional dos Professores vai enviar informação sobre os
docentes do pré-escolar, básico e secundário, mas também sobre os
investigadores e os professores do ensino superior.“Vamos
dizer exatamente a situação que se vive para que possa haver uma
intervenção da comissão para que possa obrigar o Estado a cumprir a
diretiva”, explicou à Lusa Mário Nogueira, defendendo que a precariedade
é uma “situação genérica do sistema de ensino e de investigação”. O
secretário-geral da Fenprof acusou o Governo de utilizar “formas
absolutamente manhosas para ir prolongando esta situação”.A
maioria dos investigadores em Portugal trabalha com contratos precários
ou com bolsas, segundo Ana Ferreira, que realizou um estudo sobre
precariedade na ciência.Se nas
instituições públicas, ao fim de seis contratos sucessivos a instituição
é obrigada a abrir um concurso internacional, nas instituições privadas
a situação é mais complicada. “As
instituições privadas sem fins lucrativos e fundações não se regem por
coisa nenhuma. Deviam reger-se pelo direito privado, que diz que ao fim
de “x” contratos, e a ser necessária a permanência do trabalhador, tem
de ser feito um contrato por tempo indeterminado. Mas isso aqui não
acontece”, criticou Mário Nogueira. A
Fenprof já fez queixas à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT),
“com casos concretos de algumas das instituições ligadas às
Universidades de Lisboa e do Porto”, mas a ACT “diz que não encontrou
qualquer tipo de problemas”, disse.No
próximo dia 12 de janeiro, a Fenprof tem uma manifestação agendada para a
porta do Ministério das Finanças para pressionar o Governo a concluir
os processos de 30 investigadores que deveriam ter sido integrados no
âmbito do programa de regularização de vínculos precários na
Administração Pública (PREVPAP).“Este
Governo não se pode ir embora sem concluir, pelo menos, um programa que
criou e que já vai fazer cinco anos”, defendeu Mário Nogueira, durante a
conferência para denunciar a precariedade em que vive a maioria dos
investigadores e pedir o apoio dos partidos políticos.Mário
Nogueira lembrou que cerca de metade dos investigadores com trabalhos
precários “não chegaram a apresentar requerimentos para a regularização
dos seus vínculos” e dos que avançaram foram poucos os que viram o
problema resolvido.“Só um em cada oito dos
meus colegas requerentes foram aprovados, sendo que estamos a falar em
situações de obscena duração e repetida precariedade”, salientou por seu
turno o investigador Paulo Granjo, lamentando a “legião de precários”
que garantem a investigação em Portugal.O
astrofísico Nuno Peixinho, cujo nome foi atribuído a um asteroide, é um
desses investigadores precários do sistema e hoje esteve também presente
na conferência de imprensa da Fenprof.Atualmente,
“há 3.278 investigadores contratados, dos quais apenas 170 são com
contratos sem termo. Os restantes 3.100, ou seja, 95% são doutorados
contratados a prazo”, alertou Nuno Peixinho, baseando-se em dados do
Observatório do Emprego Científico e Docente da Direção-Geral de
Estatística da Educação e Ciência.