Felipe VI pede união aos governos para garantia de ajuda a populações
Espanha/Cheias
19 de nov. de 2024, 17:20
— Lusa/AO Online
“Não é fácil que chegue a
ajuda, há muitas formalidades e controlos a cumprir. Mas é importante
que funcionem e que todas as administrações trabalhem em conjunto. Temos
de continuar com o apoio. As pessoas pedem-nos que não as esqueçamos.
Nós continuaremos a vir”, disse o chefe de Estado de Espanha, em
declarações a jornalistas em Utiel, uma localidade da região de
Valência, a mais afetada pelas cheias, que causaram 227 mortos.Além
de Utiel, Felipe VI e a rainha espanhola, Letizia, visitaram Chiva, também na Comunidade Valenciana, e Letur, na vizinha região de
Castela La Mancha.Os monarcas foram hoje
recebidos com aplausos e vivas nas localidades por onde passaram, depois
de a 03 de novembro terem ouvido insultos e gritos de "assassinos" e
de terem sido atingidos por lama lançada pelas populações em Paiporta,
em Valência, num episódio considerado inédito nos últimos 40 anos, desde
que acabou a ditadura e foi reinstaurada a monarquia em Espanha.Nesse
dia, Felipe VI e Letizia chegaram a Paiporta acompanhados pelo
primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, e pelo presidente do
governo regional da Comunidade Valenciana, Carlos Mazón, que tem sido o
principal alvo de queixas e críticas por parte das populações por causa
da gestão das inundações.Perante os
insultos e tentativas de agressão, Sánchez e Mazón foram retirados das
ruas de Paiporta em 03 de novembro, mas Felipe VI e Letizia prosseguiram
a visita e acabaram por falar com as populações e por abraçar diversas
pessoas.Os reis voltaram à zona das
inundações acompanhados, em Xiva e Utiel, pelo ministro de Política
Territorial, Ángel Victor Torres, e por Carlos Mazón, que ouviu de novo
insultos e pedidos para se demitir, mas isolados, segundo os relatos dos
meios de comunicação social no local.Felipe
VI disse que a situação no terreno "já mudou muito" desde os
primeiros dias, mas a recuperação "vai demorar muito tempo" e "é preciso
manter a ajuda e o apoio", assim como a proximidade e a atenção às
populações.O Rei pediu para todas as
administrações trabalharem em conjunto, insistindo que será "algo que as
pessoas vão agradecer quando sentirem que o Estado está presente"."Uma
das coisas que [as pessoas] mais repetem ou que mais lembram é que não
os esqueçamos. As notícias evoluem depressa, mas é preciso manter a
atenção a todas estas populações tão duramente afetadas", afirmou.Nas
visitas às três localidades, os monarcas falaram com habitantes,
militares, polícias, voluntários e autoridades locais e prometeram que
voltarão a visitar com regularidade as zonas afetadas pelas inundações.As
inundações de 29 de outubro têm gerado críticas e trocas de acusações
entre o Governo central de Espanha, liderado pelos socialistas, e o
governo regional da Comunidade Valenciana, presidido pelo Partido
Popular (PP, direita).Na origem das
acusações estão as queixas das populações por causa do alerta tardio em
relação ao temporal que desencadeou as enxurradas e, depois, também
pelas falhas e demora na assistência aos afetados pelas inundações.As inundações causaram pelo menos 227 mortos, 219 dos quais na região de Valência.