Feiras do Livro de Lisboa e Porto fecham edições de resistência à crise do setor
13 de set. de 2020, 11:20
— AO Online/ Lusa
A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), que organiza a Feira do Livro de Lisboa, considerou o ano de 2020 catastrófico para o setor, por causa da pandemia de covid-19, com a estimativa de perdas entre os 30 milhões e os 35 milhões de euros.A Feira do Livro do Porto, organizada pela autarquia, abriu com "as melhores” expetativas do seu responsável, o curador e programador Nuno Faria, diretor do Museu da Cidade, que disse à Lusa ter um “horizonte de esperança”, sobre esta "nova normalidade”, enquanto os editores e livreiros participantes se mostraram “apreensivos com a perda de rendimentos das famílias”, no impacto das vendas.A 90.ª edição da Feira de Lisboa, que regressou ao parque Eduardo VII no passado dia 27 de agosto, meses depois do calendário inicialmente previsto (maio/junho), devido à pandemia de covid-19, reuniu 117 participantes em 310 pavilhões, representando 638 editoras, livrarias e chancelas.As regras sanitárias de acesso, de circulação e de manuseamento dos livros não afastaram os milhares de visitantes, que encheram o recinto nos fins de semana e na Hora H, levando, em alguns momentos, à existência de filas de espera para entrada nas alamedas centrais do parque, que permaneceram vedadas.Em Lisboa, a lotação foi limitada a 3.300 pessoas em simultâneo.A Feira do Livro do Porto abriu ao público em 28 de agosto, nos Jardins do Palácio de Cristal, com acessos limitados a 3.500 pessoas, no recinto.Com 120 pavilhões e mais de 80 entidades participantes, segundo números da Câmara do Porto, a Feira do Livro 2020 teve por tema "Alegria para o fim do mundo", um verso da escritora Andreia C. Faria, autora residente da iniciativa.As homenageadas desta edição foram a imunologista Maria de Sousa (1939-2020), que morreu em abril, vítima de infeção causada pelo novo coronavírus, e a poeta Leonor de Almeida (1909-1983).Desta autora, foi recuperada a obra integral ("Na curva escura dos cardos do tempo", ed. Ponto de Fuga) e publicada uma investigação sobre a sua vida e obra ("Tatuagens de Luz", de Cláudia Clemente, ed. Documenta/Porto).