Federação Portuguesa de Ciclismo alerta para "oportunidade perdida"
19 de fev. de 2021, 18:54
— Lusa/AO Online
“A
Federação Portuguesa de Ciclismo olha com preocupação para o Plano de
Recuperação e Resiliência. O documento, que poderia ser uma oportunidade
também para o desenvolvimento do desporto, é, isso sim, uma
oportunidade perdida”, pode ler-se numa carta aberta assinada pelo
presidente do organismo, Delmino Pereira.Para
a FPC, “a importância do desporto para o bem-estar e a saúde das
pessoas e da sociedade, para a ativação da economia e até, no caso do
ciclismo, para a defesa do ambiente e para a mobilidade ativa
sustentável, justificavam outra centralidade do setor nas prioridades do
país”.“Exige-se que o Estado crie
condições para a retoma do desporto, no prazo mais breve possível,
compreendendo as dificuldades acrescidas do movimento desportivo no
pós-confinamento. Quanto maior for o período de paragem, mais difícil
será trazer de volta praticantes, sobretudo jovens. Além disso, a crise
económica criará barreiras à captação de patrocinadores privados”,
alerta o organismo federativo.O texto
prossegue salientando que “o investimento no desporto é altamente
reprodutivo, de forma direta e indireta”, gerando “mais-valias
económicas”, quer através da “contratação de serviços inerentes à
realização dos eventos, à deslocação de praticantes, equipas e atletas, e
à dinamização da hotelaria”, quer, mais indiretamente, no caso do
ciclismo, através da divulgação do território e da captação de turistas.
“A necessidade de alargar o número de
pessoas ativas, em defesa da saúde e do bem-estar, e o respeito pelo
direito constitucional de acesso generalizado ao desporto deve obrigar o
Estado a investir no setor. De outro modo, corre-se o risco de
aprofundar o fosso entre aqueles que têm meios para a prática desportiva
e de atividade física e os outros, muitos mais em tempo de crise
económica, que não têm meios para custear este direito constitucional”,
defende a federação velocipédica.Assim,
estima a FPC, é “urgente capacitar e dotar de meios financeiros as
entidades que terão em mãos a desafiante tarefa de reativar a atividade
desportiva”, ressalvando, contudo, que este investimento deve ser
“inteligente, percebendo que o desporto é feito de diferentes
realidades”. “As modalidades que se
praticam na via pública, como é o caso do ciclismo, têm dificuldades
acrescidas, como o pagamento de policiamento, a contratação da montagem
de estruturas itinerantes, custos com medidas sanitárias logisticamente
mais complexas por terem de ser adaptadas à via pública. Por outro lado,
são modalidades sem receitas de bilheteira e que não fazem impender
sobre o Estado custos avultados de construção e manutenção de
infraestruturas”, enumera.A carta aberta,
que foi também “remetida oficialmente no âmbito do processo de consulta
pública em curso”, termina dando conta que Portugal tem “todo o
interesse no investimento na prática quotidiana, enquanto modo de
transporte, dado que tem uma importante fileira exportadora da indústria
de bicicletas, acessórios e componentes”.