Federação Nacional dos Médicos diz que seis hospitais já enfrentaram fechos de urgência
4 de out. de 2023, 11:38
— Lusa/AO Online
Num
levantamento feito sobre os impactos da entrega de minutas de recusa
por parte dos médicos, a FNAM afirma em comunicado que o retrato é
grave, traduzindo-se em encerramentos e constrangimentos nos serviços de
urgências, mas também nas escalas de outros serviços hospitalares, após
mais de 2.000 médicos terem recusado fazer mais horas extras.
Segundo a FNAM, os serviços de urgência estão “fortemente
condicionados e com equipas insuficientes” nos hospitais de Almada,
Amadora, Aveiro, Barcelos, Barreiro, Braga, Bragança, Caldas da Rainha,
Famalicão, Figueira da Foz, Lamego, Leiria, Lisboa, Matosinhos,
Penafiel, Ponte de Lima, Porto, Póvoa de Varzim, Portalegre, Portimão,
Santa Maria da Feira, Tomar, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Nova
de Gaia, Vila Real e Viseu além de Barcelos, Caldas da Rainha, Chaves,
Guarda, Santarém e Tomar.Além dos serviços
de urgência, há efeitos conexos, fruto da deslocação dos médicos de
outros serviços para as escalas dos serviços de urgência, nos serviços
de Anestesia, Cardiologia, Cirurgia, Ginecologia-Obstetrícia, Medicina
Interna, Medicina Intensiva, Ortopedia e Pediatria. A
federação adverte que, a este cenário, acrescem as dificuldades nas
maternidades: “Com as urgências do Hospital de Santa Maria e do Hospital
das Caldas da Rainha encerradas para obras, há condicionamentos graves
em Almada, Amadora, Aveiro, Barreiro, Caldas, Leiria, Loures, Santarém,
Setúbal, Vila Franca de Xira”.Alerta ainda
que situação vai ficar ainda mais difícil em novembro, uma vez que
parte significativa dos médicos entregou as suas declarações em outubro,
nomeadamente em hospitais de referência como o Hospital Santa Maria, em
Lisboa, os Hospitais de Santo António e de São João, no Porto, e o
Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra.A
FNAM refere que as unidades de saúde e os hospitais mais periféricos
foram os primeiros a sentir os efeitos da falta de médicos, uma situação
que “agora se tornou indisfarçável sem a possibilidade de o esconder
com o abuso do recurso às horas suplementares”.“Conforme
se pode verificar, praticamente não sobra SNS ao Ministério da Saúde de
Manuel Pizarro e ao Governo de António Costa, que devem ser
responsabilizados por todas as consequências da sua irresponsabilidade e
incompetência”, critica.A FNAM lamenta
que o tempo das negociações não tenha produzido nada, afirmando que “foi
uma encenação infrutífera, por decisão política do ministério de Manuel
Pizarro e do Governo de António Costa, onde a única coisa que deixaram
aos utentes e aos médicos foi o aprofundamento, unilateral, das razões
que conduziram à atual situação”.Manifestou
ainda a sua solidariedade com os médicos de Santarém, do serviço de
Medicina Interna, cujos especialistas e internos da especialidade
entregaram em conjunto as declarações de indisponibilidade para fazer
mais do que 150 horas suplementares por ano, “à qual somaram um
‘Manifesto de Protesto’ corajoso”, enviado ao Conselho de Administração,
sobre as razões da luta.“O Serviço
Nacional de Saúde está hoje à beira do colapso de norte a sul do país,
nos serviços de urgência e em várias especialidades, com mais de 2.000
médicos a recusarem superar as 150 horas de trabalho suplementar anuais
previstas na lei”, salienta a FNAM, defendendo que “a ausência de um
acordo capaz de fixar médicos no SNS está na base de um problema que tem
soluções, e quer Manuel Pizarro quer António Costa sabem bem quais são:
35 horas de trabalho semanais tal como os demais trabalhadores da
saúde, revisão das tabelas salariais, não aumentar o limite de trabalho
suplementar além das 150 horas, respeito pelo descanso compensatório,
cumprimento pelos acordos coletivos de trabalho, desenvolvidos num plano
nacional para salvar a carreira médica e o SNS”.A
porta-voz do movimento Médicos em Luta, Susana Costa, disse na
terça-feira à Lusa que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) “está a ruir” e
que os médicos já não conseguem travar essa "demolição”, registando-se
constrangimentos em 27 hospitais do país, que, defendeu, “já deveriam
ser suficientes para sensibilizar o governo a tomar alguma medida”.