Federação Nacional dos Médicos critica modelo de avalição e apresenta contraproposta
Hoje 12:45
— Lusa/AO Online
A
Fnam refere em comunicado que reuniu na passada sexta-feira com o
Ministério da Saúde, no âmbito do processo negocial relativo aos acordos
coletivos de trabalho e à adaptação do Sistema Integrado de Gestão e
Avaliação do Desempenho na Administração Pública (Siadap) à carreira
médica.A Federação Nacional dos Médicos
afirma que reiterou de “forma inequívoca” na reunião a sua posição sobre
o modelo de avaliação proposto pelo Ministério da Saúde (MS),
considerando-o “injusto” e “penalizador”, contribuindo para “o bloqueio
da progressão dos médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.
A Fnam defende a progressão automática nas posições remuneratórias de
três em três anos, com reposição do regime previsto no Decreto-Lei n.º
73/90 e sem aplicação de quotas na avaliação horizontal, sublinhando que
os médicos já estão sujeitos a avaliação na progressão vertical entre
categorias. “O MS e a Secretaria de Estado
da Administração Pública recusaram introduzir mecanismos de
transparência e equidade no processo avaliativo, impondo o superior
hierárquico direto como avaliador por defeito e reduzindo a avaliação
colegial a uma opção meramente facultativa, uma solução que a Fnam
considera arbitrária, geradora de desigualdades profundas e promotora de
práticas de favorecimento e submissão hierárquica”, afirma no
comunicado. Considera ainda que “o modelo
de avaliação baseado na ponderação curricular desvaloriza a experiência
e o percurso profissional dos médicos, ignorando a diversidade de
funções, contextos assistenciais e níveis de responsabilidade existentes
no SNS”. Para a Fnam, este modelo agrava
ainda mais a situação dos médicos, ao manter quotas após anos de
congelamento da progressão e de deterioração das condições de trabalho,
penalizando os profissionais e comprometendo a valorização da carreira
médica. No âmbito da negociação dos
acordos coletivos de trabalho, a federação sindical apresentou uma
contraproposta à proposta entregue pelo governo que inclui a reposição
das 35 horas semanais, a recuperação de dias de férias perdidos, a
harmonização entre formação académica e atividade médica.Apresenta
também como propostas a melhoria das condições de parentalidade, a
eliminação de mecanismos que considera serem retrocessos laborais, como o
banco de horas, o trabalho suplementar ilimitado e o trabalho por
turnos, e garantia da manutenção do descanso semanal obrigatório ao
domingo e complementar ao sábado. A Fnam
defende ainda a reintegração do internato médico na carreira e a criação
do grau de consultor principal, como forma de assegurar o acesso à
categoria de assistente graduado sénior e exige que “o processo negocial
produza soluções justas, transparentes e que valorizem efetivamente a
carreira médica no SNS”.