Federação e ADoP assinam protocolo "pioneiro no ciclismo mundial"
3 de jan. de 2023, 13:34
— Lusa/AO Online
“Estamos perante um ano histórico
do ciclismo português, diria até que a nível mundial. […] Ter todos os
ciclistas no passaporte biológico é pioneiro no ciclismo mundial”,
vincou o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), em
conferência de imprensa, na sede do Comité Olímpico de Portugal (COP),
em Lisboa.Descrevendo o dia como
“de grande felicidade”, Delmino Pereira estimou que este é o início de
um “processo de viragem do ciclismo português”. “Vamos dar um passo enorme, gigante, na luta antidopagem. […] Tratava-se
aqui de darmos um gesto de salvação da credibilidade do ciclismo. Nós
estamos aqui a dar uma volta para o futuro. O passado vai ser arrumado e
temos de dar um passo em frente, que não tem paralelo com o que se
passa noutros países”, destacou, por sua vez, o presidente da Autoridade
Antidopagem de Portugal (ADoP).Manuel
Brito considerou que o protocolo apresentado “tem um significado
muito grande não só para o ciclismo, mas para o desporto nacional”. “Evidentemente,
que este passo de reforço da integridade das competições desportivas é
um passo muito importante para ultrapassar alguma suspeição que há sobre
o ciclismo nacional”, notou, reconhecendo que a ‘Operação Prova Limpa’ ,
que expôs a dopagem generalizada na equipa W52-FC Porto, grande
dominadora no pelotão nacional durante praticamente uma década, acelerou
a necessidade de um protocolo numa modalidade que merece “especial
atenção”. Manuel Brito realçou ainda a
complexidade da operação de implementação do passaporte biológico à
totalidade do ‘plantel’ das equipas continentais portuguesas –
atualmente, há 92 ciclistas inscritos -, lembrando que, “de acordo com
as exigências da AMA [Agência Mundial Antidopagem], cada atleta terá de
ter pelo menos três análises fora de competição”.O
passaporte biológico, obrigatório para equipas WorldTour e
Procontinentais, os dois primeiros escalões da modalidade, baseia-se na
monitorização de determinados parâmetros biológicos (através de amostras
de sangue e de urina), que, de uma forma indireta, possam revelar os
efeitos da utilização de substâncias ou métodos proibidos, em oposição
às estratégias tradicionais de deteção direta de substâncias ou métodos
proibidos em amostras de sangue e de urina.Para
esta “entrada de ano auspiciosa”, muito contribuíram, de acordo com o
presidente da ADoP, decisões tomadas pelo Governo, nomeadamente o
“reforço de 60%” da dotação daquele organismo, assim como a reabertura
do Laboratório de Análises de Dopagem (LAD), de Lisboa, que facilitará a
logística e diminuirá os custos.Os custos
desta operação, estimados em 120 mil euros, serão divididos entre a ADoP
e a FPC, que deverá entregar cerca de 50 mil euros ao organismo
antidopagem. A verba disponibilizada pela federação foi custeada pelas
nove equipas continentais portuguesas, que pagaram 500 euros por
ciclista no momento da inscrição para esta época velocipédica. “A
adesão foi 100% da parte da nossa comunidade”, garantiu Delmino
Pereira, para quem “todos perceberam que [o protocolo] reforça a
credibilidade junto dos seus patrocinadores” e que é “uma ferramenta de
igualdade” no pelotão nacional.Além do
alargamento da implementação do passaporte biológico a todos os
corredores das formações lusas, que pertencem ao terceiro escalão do
ciclismo mundial, o protocolo prevê ainda ações de formação e
sensibilização dos agentes envolvidos na modalidade.