Federação de surf “vai motivar ao máximo” regresso ao mar com regras
Covid-19
23 de abr. de 2020, 10:15
— Lusa/AO Online
No
dia em que organismo endereçou uma carta ao governo português, ao
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e à Assembleia da
República, juntamente com a Associação Nacional de Surfistas (ANS) e a
Liga Mundial de Surf (WSL), a apresentar um conjunto de recomendações
para autorizar o regresso ao mar, o presidente da FPS, João Aranha,
falou da situação atual da modalidade em solo nacional, em declarações à
agência Lusa. O impacto económico que o
novo coronavírus provocou no surf em Portugal e o esclarecimento de que a
ideia passa por ter acesso ao mar e não a praia, foram dois pontos
abordados pelo responsável da entidade.“Queremos
[voltar] quando o período de emergência for levantado, supostamente no
dia 2 de maio. Temos de dar algum tempo. Achamos que vamos ter uma
resposta positiva do governo, até porque o próprio executivo já está a
inclinado a fazer uma abertura gradual do mar”, começou por dizer à
Lusa. Sobre a carta dirigida ao Governo
português, a quem pede “ouvidos e entendimento”, o presidente da FPS
indica que esta “apela muito ao civismo e à união da comunidade”,
revelando ainda que “vai motivar ao máximo os praticantes a voltarem ao
mar com regras”.João Aranha justifica o
regresso apontando “razões de saúde e bem-estar” e fala de uma “visão
diferente”, relativamente às diferenças de regressar ao mar e à praia. “A
praia para nós é uma passadeira e não é onde nós paramos e nos
juntamos. Nós temos uma visão diferente. O nosso meio é o mar, são as
ondas e queremos voltar ao mar. Compreendemos que o governo teve algum
receio, face aos ajuntamentos nas praias, como é normal”, explicou.Mesmo
com praias fechadas, ou com lotação máxima de pessoas, a ideia é que
“haja acesso ao mar para os surfistas”, que estão “a ficar um bocadinho
secos, com muita vontade de voltar e desesperados”, segundo revelou o
dirigente à Lusa. Contudo, a grande
preocupação para a Federação passa pelo impacto económico “brutal”, como
a redução de patrocínios, de eventos e o encerramento das escolas de
surf.“O que me preocupa mais e o que é
crítico é a área do ensino de surf e das escolas. Essas sim, estão numa
situação extremamente complicada. Tem de haver algum tipo de situação
que os ajude a regressar gradualmente. Deviam ser autorizados a
regressar, com regras e aulas com menos alunos”, lamentou. Por
fim, João Aranha mostrou-se esperançoso na realização de algumas provas
ainda no ano de 2020 “já muito condicionado e reduzido”.Tal
como o responsável pela federação, também o presidente da ANS referiu à
Lusa que acredita na compreensão do Governo para que a modalidade
regresse a partir do dia 3 de maio. “Temos
a noção que há um bom acolhimento do lado dos municípios e esperamos
que também do lado do Governo, para repor [a modalidade no mar] com toda
a naturalidade e justiça”, referiu Francisco Rodrigues.Ainda assim, o dirigente lembra que é um processo demorado e que a prioridade passa por estabelecer o surf individual. “Estabelecer
primeiro aquilo que é o surf individual para, depois, acreditar que
isto vai correr com toda a normalidade e, poder sim, começar a
especificar as medidas para retomar os eventos. Temos de perceber quando
as reais condições para os eventos acontecem”, declarou.