Federação de Pescas dos Açores quer linha de crédito em 2023

22 de set. de 2022, 18:08 — Lusa/AO Online

Gualberto Rita apontou como “prioridade a formação, que em 2022 sofreu um interregno dada a necessária certificação da Escola do Mar”, uma vez que “existe uma lacuna bastante grande de mão-de-obra para a pesca, nomeadamente dos mais jovens”.O dirigente da FPA defendeu também a criação de uma linha de crédito para a pesca, tendo em vista “apoiar os armadores nas pequenas reparações”, a par da criação de uma portaria de apoio à frota, que “apresenta alguns sinais de envelhecimento”.Gualberto Rita foi hoje recebido na presidência do Governo dos Açores, em Ponta Delgada, no âmbito das auscultações do presidente do Governo Regional aos partidos e parceiros sociais no quadro da preparação do Plano e Orçamento de 2023.Gualberto Rita salvaguardou que o Fundo Europeus dos Assuntos do Mar e das Pescas (FEAMP) prevê verbas para reparar as embarcações, mas as medidas “não vão muitas vezes de encontro àquilo que é a realidade [especificidades] do setor nos Açores e das embarcações, principalmente do segmento de frota mais pequeno".O dirigente da FPA defendeu no capítulo da cessação de atividade por abate de artes de pesca e das embarcações um reforço dos valores praticados pela portaria regional. “Consideramos que os valores alocados estão muito aquém daquilo que nós pretendemos e os armadores não vão aderir”, disse.Gualberto Rita quer ainda alterar os critérios da portaria regional, tendo exemplificado que numa embarcação com menos de 12 metros, o valor atribuído são 30 mil euros, o que “está muito aquém do que é o valor real do barco”.O segmento de frota mais pequeno da pesca dos Açores atinge as 350 unidades, sendo em atividade 520 barcos, e existem cerca de 2500 pescadores na região, tendo Gualberto Rita reconhecido que “há que corrigir desequilíbrios no setor” face aos recursos naturais disponíveis”.O líder da FPA considerou que a preocupação na região “não deve ser apenas a implementação das áreas marinhas protegidas”, sendo que a “preservação de recursos deve passar sim pela reconversão da frota e dos ativos, em função dos recursos disponíveis e das frotas”. O Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) depende do apoio dos partidos que integram o executivo e daqueles com quem tem acordos de incidência parlamentar (IL, Chega e deputado independente) para ter maioria absoluta na Assembleia Legislativa Regional.