Federação de canoagem critica cortes no alto rendimento sem valorizar o mérito
11 de mai. de 2021, 13:53
— Lusa/AO Online
“Fomos
surpreendidos há poucas semanas com o anúncio de cortes no alto
rendimento, sendo que nós, tendo em conta que já somos altamente
deficitários no que é o financiamento público para a alta competição e
que somos uma das federações que melhores resultados tem conquistado
para Portugal, achamos que não é justo, porque não tem premiado o
mérito”, justificou Ricardo Machado, vice-presidente da FPC.Em
causa, está uma redução de 20% no apoio ao alto rendimento,
“justificados pelo facto de não haver competição”, algo que o dirigente
desmente, aludindo às várias provas do calendário da modalidade que só
agora estão a começar, como o apuramento olímpico, taças do mundo e
europeus, tudo antes de Tóquio2020. “Caso o
corte se venha a confirmar, vai criar-nos sérios constrangimentos e
vamos modificar parte da estratégia, até o número de pessoas nos
Europeus, de 03 a 06 de junho. O financiamento que vamos ter não é
suficiente para os compromissos que tínhamos assumido”, sustentou.Ricardo
Machado recorda que as participações internacionais ficaram “mais
caras”, uma vez que há menos voos e existe uma exigência de frequentes
testes covid-19, onerosos.“O Estado e o
IPDJ não acautelaram bem essa situação. Não é verdade que as federações
têm menos encargos, pois são superiores. As participações internacionais
são mais caras do que antes da covid”, reforçou.O
vice-presidente da FPC afirma, ainda assim, que “não está comprometida a
preparação olímpica e paralímpica” para Tóquio2020, o mesmo não podendo
dizer do “futuro da modalidade”, pois estes cortes vão afetar sobretudo
os juniores e sub-23 que trabalham para Paris2024.Em
Szeged, Hungria, Portugal apresenta seis tripulações, com 10 canoístas,
em busca de mais quotas olímpicas, que se juntariam às seis já certas
em velocidade e uma no slalom.“Mesmo que
as coisas não corram como esperamos e fiquemos por aqui, contamos com
estes atletas a lutar por lugares de pódio, que é o que a canoagem
aponta para Tóquio2020”, vincou.Recorda
que a equipa na Hungria “é quase toda sub-23” e que, embora reconhecendo
o seu “valor”, lembra que o número de vagas é escasso – uma ou duas,
por prova – e o seu expoente máximo desportivo aponta para Paris2024.