Federação contraria PM e diz que professores vão continuar com a casa às costas
9 de mai. de 2023, 10:50
— Lusa/AO Online
Em declarações à Lusa, o
vice-secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE), Pedro
Barreiros, sublinhou que, apesar de a versão final do diploma ser uma
proposta melhor do que a inicialmente apresentada pelo Ministério da
Educação (ME), é ainda um texto que “traz muitos perigos”, como as
ultrapassagens na carreira, ou, contrariando o que já foi afirmado pelo
ministro da Educação, João Costa, e pelo primeiro-ministro, António
Costa, “a aposta numa nova lógica que é a de fazer com que os
professores andem de mochila às costas”.“O
ministro da Educação e o primeiro-ministro disseram que este diploma de
concursos serviria para eliminar a precariedade e acabar com a lógica
dos professores de casa às costas, contudo aquilo que verificamos é que,
apesar de se passar de 10 para 63 Quadros de Zona Pedagógica [área
geográfica de vinculação], a forma como está construída esta proposta de
concursos fará com que os professores tenham de andar de escola em
escola para completar os seus horários”, disse Pedro Barreiros.O primeiro-ministro reafirmou a ideia de que este diploma combate a
precariedade e traz estabilidade ao corpo docente, dizendo que para
muitos professores “acabarão os dias de casa às costas”.Tal
como a Fenprof, também a FNE entende que a promulgação do novo regime
de recrutamento e concursos de professores era desnecessária, lembrando
que foi pedido ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que
não o fizesse, por haver consciência de que não seria a ausência do
diploma que poria em causa a vinculação de milhares de professores, como
justificou o chefe de Estado na nota hoje divulgada.Também
a FNE entende que bastaria um concurso de vinculação extraordinário, à
semelhança do que já aconteceu em anos anteriores, para cumprir esse
objetivo.E critica ainda que o ME não
tenha ido ao encontro da reivindicação desta federação, que queria
vincular já este ano 15 mil professores, até porque o Governo já
manifestou a intenção de abrir concurso para vincular cerca de 20 mil
docentes no próximo ano.“Se para o próximo
ano já prevê essa necessidade de 20 mil, perguntamos porque não foi ao
encontro da reivindicação da FNE e não abriu já pelo menos as 15 mil.
Não o fez, não estranharemos se no início do ano letivo continuarmos a
assistir àquilo que se assiste há muito tempo, que é no primeiro dia de
aulas ainda haver alunos sem professores”, disse o dirigente da FNE.Pedro
Barreiros manifestou “alguma estranheza” por o Governo não ter acolhido
qualquer sugestão da Presidência da República, referindo que os
sindicatos estão habituados a ver as suas propostas rejeitadas pelo ME,
mas não as do Presidente da República (PR), acrescentando que desse
comportamento se pode tirar uma ilação direta.“Acho
que torna bem claro e evidente aos olhos da opinião pública e da
sociedade qual é o nosso papel nos processos negociais, porque quando
nem o PR consegue que apenas um contributo seja aceite por parte do ME,
como é que os sindicatos hão de conseguir convencer o ME a ir ao
encontro das suas reivindicações”, disse.Na
nota sobre a promulgação, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de
Sousa, refere que, "foram formuladas várias sugestões e, também,
apresentada proposta concreta sobre a vinculação dos professores, no
sentido de a tornar mais estável, sem, com isso, introduzir
desigualdades adicionais às já existentes"."Apesar
de não ter colhido consagração a proposta apresentada, nem outra, mais
minimalista, a certa altura aventada no diálogo com a Presidência do
Conselho de Ministros, o Presidente da República entende dever promulgar
o presente quadro jurídico", acrescenta.Marcelo
Rebelo de Sousa argumenta que "adiar a promulgação, embora no prazo
legal de 40 dias, que termina a 15 de maio, ou recusar essa promulgação,
neste contexto, representaria adiar as expectativas de cerca de oito
mil professores, além de deixar sem consagração legal algumas das suas
reivindicações pontuais, aceites pelo Governo".