Federação Agrícola dos Açores sugere que UE importe cereais para estados-membro
Crise/Energia
15 de mar. de 2022, 16:57
— Lusa/AO Online
“Tem de haver muito dinheiro para a
Região Autónoma dos Açores. Dinheiro de forma prática e uma agilização
de medida. Por exemplo, no caso dos cereais, tem de haver uma alteração
na legislação e a possibilidade de a UE fazer importação, senão vai
haver rutura em países mais periféricos”, observou Jorge Rita.O
responsável falava aos jornalistas após uma primeira reunião entre o
presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, e representantes
económicos da região, tentando resumir as posições dos parceiros sobre
as medidas a tomar para combater o impacto da guerra na Ucrânia.“Estamos
com uma grande apreensão, insegurança e alguma desconfiança do que nos
pode acontecer, devido à volatilidade dos preços dos combustíveis e
cereais, que são brutais”, observou Jorge Rita. Relativamente
aos combustíveis, o presidente da Federação Agrícola apontou para a
criação de “um limite ao nível europeu”, em vez de “contínuas subidas”.Por
outro lado, defendeu um reforço do POSEI – um programa de fundos
comunitários “transversal a todas as produções agrícolas dos Açores”.“Se
os nossos custos aumentarem 30% na área agrícola, tem de haver reforço
para cima de 30% do POSEI. Estamos a falar de 30 a 35 milhões de euros”,
afirmou, considerando que seria uma “medida interessante para ajudar a
alavancar a economia”.Jorge Rita notou
ainda que os “setores da atividade económica da região são extremamente
importantes” e que “tem de haver prioridades”. “Se
calhar, o que era prioridade vai deixar de ser. As pessoas têm de se
alimentar, de continuar a produzir. Tudo irá subir de forma dramática”,
avisou.A perspetiva dos agentes económicos
é, por isso, “trabalhar de forma articulada na região, a nível nacional
e a nível europeu”, acrescentou, salientando que não há qualquer “risco
de rutura” de produtos alimentares na região.“Atendendo
às nossas condições arquipelágicas, estamos abastecidos, porque temos
de abastecer em mais quantidade.
Tanto para alimentação humana como dos animais”, assegurou.