Federação Agrícola dos Açores preocupada com desvalorização dos preços do leite e da carne
Hoje 16:07
— Lusa/AO Online
Citado
em nota de imprensa, o dirigente condena a redução de 1,5 cêntimos por
litro no preço do leite pago pela indústria de transformação de
laticínios Bel aos produtores de São Miguel a partir de 01 de setembro,
depois das reduções anunciadas por outras indústrias (Lactogal, Prolacto
e Insulac) para o mês de agosto.O
presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA) afirma que a nova
descida no preço do litro do leite “é preocupante e um duro golpe” para
os produtores, compromete a confiança dos agricultores e “coloca em
causa a sustentabilidade económica das explorações leiteiras”.“O
produtor precisa de previsibilidade para gerir a sua exploração e
cumprir os seus compromissos financeiros. Com sucessivas reduções do
preço do leite, aquilo que se instala é um clima de incerteza que
fragiliza todo o setor”, alerta.O
dirigente salienta que a decisão surge numa altura em que se antecipa um
novo aumento dos custos de produção, associado ao atual contexto
internacional e às condições climatéricas extremas registadas em vários
países.Jorge Rita considera ainda que a
desvalorização do leite e da carne “representa um sinal negativo para o
presente e para o futuro da agricultura açoriana, desmotivando quem
trabalha diariamente e arduamente em prol do setor”, defendendo medidas
para apoiar os agricultores. Assim, sugere
que os 23 milhões de euros da República, que foram atribuídos no âmbito
dos apoios extraordinários relacionados com a guerra na Ucrânia, “devem
ser disponibilizados aos agricultores açorianos rapidamente, de forma a
contribuir para atenuar as dificuldades que o setor atravessa”.Segundo
Jorge Rita, o mercado dos produtos lácteos já atravessou períodos mais
desfavoráveis e existia a expectativa de uma melhoria, “numa fase em que
a produção de leite tende a diminuir e a cotação de alguns produtos
lácteos tem vindo a recuperar”.O
presidente da FAA alerta também que as descidas do preço do leite
poderão acelerar o abandono da atividade por parte de alguns produtores,
desmotivar o investimento nas explorações e afastar os jovens de um
setor que já enfrenta outros problemas como a escassez de mão-de-obra.O
também presidente da Associação Agrícola de São Miguel manifesta
igualmente preocupação com a situação denunciada recentemente pela
Associação de Produtores de Leite Biológico da Ilha Terceira, que
alertou que a produção “corre o risco de acabar”, e com o setor da
carne, “perante a descida registada nos preços nos mercados
internacionais”.