Federação Agrícola dos Açores defende reforço do POSEI para o setor
Hoje 10:53
— Lusa/AO Online
"Defendemos que o POSEI
[Programa de Opções Específicas para fazer face ao Afastamento e à
Insularidade das regiões ultraperiféricas] deve ser respeitado com está
no Tratado [Europeu] e deve ser reforçado, até porque, ao contrário de
outros apoios que foram atualizados na base da inflação, o POSEI nunca
teve nenhuma atualização", disse o presidente da FAA, citado numa nota
de imprensa.Jorge Rita, que reuniu na
ilha de São Miguel com os deputados da Comissão da Agricultura e do
Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu, referiu que a Comissão está
"desperta" para esta situação.O dirigente
explicou no encontro que "o centralismo exagerado da República, que se
reflete na discriminação de que são alvo os agricultores dos Açores e da
Madeira, quando há ajudas nacionais ao setor, pode tornar o POSEI numa
catástrofe". Jorge Rita alertou também
para a "realidade negativa" dos transportes marítimos, fator que, na sua
opinião, "estrangula a economia das ilhas devido ao alto custo das
importações e das exportações, penalizando igualmente o cabaz de compras
dos consumidores açorianos".Por outro
lado, defendeu que a necessidade de investimento na segurança europeia
"não deve ofuscar a importância do investimento na agricultura, para
garantir a soberania alimentar", alertando para a urgência de uma "visão
diferente" sobre o setor agrícola no próximo Quadro Financeiro
Plurianual."Há já algumas alterações propostas pela própria comissão, que devem ser levadas à prática", apontou.O
representante dos agricultores açorianos sensibilizou, ainda, os
eurodeputados da Agricultura e do Desenvolvimento Rural do Parlamento
Europeu para a simplificação das ajudas.Sugeriu
"uma maior proatividade da Comissão Europeia em casos de catástrofes,
para que as ajudas não sejam demasiado reativas, até porque surgem de
forma discriminada, em que há Estados-membros que apoiam mais do que
outros, e isto não só discrimina como retira competitividade aos mais
fracos".A presidente da Comissão da
Agricultura e do Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu, Veronika
Vrecionová, também citada na nota, destacou que a visita permitiu aos
eurodeputados "conhecerem de perto uma realidade agrícola muito distinta
da existente no continente europeu".A
visita aos Açores acontece numa altura em que novos desafios se colocam à
Política Agrícola Comum (PAC) e as visitas aos Estados-membros servem
para ouvir os agricultores e saber "o que eles pensam sobre as
consequências que podem advir de uma nova PAC"."Pese
embora os problemas dos agricultores dos Açores sejam semelhantes aos
congéneres europeus, identificámos problemas específicos como o clima, a
falta de mão-de-obra, seguros agrícolas, a distância e o elevado custo
das importações", indicou.Veronika
Vrecionová salientou também a vantagem de "interconectar nos Açores a
agricultura com o turismo", facto que potencia a economia futura do
arquipélago.