Federação Agrícola dos Açores critica proposta europeia sobre reforma da PAC
17 de jul. de 2025, 14:47
— Lusa/AO Online
No
âmbito do Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034, o executivo
comunitário avançou com uma proposta para a PAC que
prevê a junção dos atuais dois pilares (pagamentos diretos anuais e
desenvolvimento rural, que dá apoios multianuais) em apenas um, de apoio
ao rendimento dos agricultores focado em resultados.A
FAA refere em comunicado que “junta a sua preocupação à
já manifestada pela Confederação dos Agricultores de Portugal e de
outras organizações de produtores face às reconfigurações que ameaçam a
manutenção da PAC para o setor e para o desenvolvimento rural”.“A
proposta prevê a integração da PAC num único envelope financeiro,
unificando os fundos de coesão e subsídios agrícolas, juntamente com
fundos regionais e de coesão, transferindo para os governos nacionais a
responsabilidade de decidir sobre a repartição de um orçamento cada vez
mais reduzido o que, no caso dos Açores, poderá significar ainda menor
autonomia nas decisões orçamentais e de estratégia”, afirma.Para
a organização, liderada por Jorge Rita, a “nacionalização” dos fundos
da PAC vem acompanhada de “um corte geral de 22% nas verbas para a PAC”.“Essa
alteração na gestão dos fundos pode ameaçar a estabilidade, a
previsibilidade e a equidade do apoio aos agricultores portugueses e
europeus, uma vez que abre a possibilidade da realocação de verbas para
outras prioridades nacionais (por exemplo a defesa), colocando em causa a
autonomia estratégica da agricultura europeia, de forma particular a
soberania alimentar na União Europeia”, lê-se.Também
é salientado que o documento apenas se refere às regiões
ultraperiféricas na área da transição energética, “não se sabendo se a
proposta mantém a possibilidade de reforço do POSEI ou se existirá
espaço para a introdução do chamado POSEI – transportes que já foi
abordado na Comissão Europeia pelos Açores”.A
FAA considera “pertinente” que o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) e
os eurodeputados desenvolvam iniciativas que visem alertar as instâncias
europeias para as particularidades da região, não só quanto à
importância socioeconómica da agricultura, como para as suas limitações
devido à ultraperiferia em relação à União Europeia e à dispersão
arquipelágica, que cria “duplas assimetrias entre ilhas”.