Federação acusa Governo de impor serviços mínimos ilegais a não docentes
27 de fev. de 2023, 11:50
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, Artur Sequeira, da federação (FNSTFPS),
considerou que “o direito à greve e à manifestação está a ser posto em
causa”, uma vez que a questão dos serviços mínimos não foi sequer
discutida relativamente ao pré-aviso da greve da FNSTFPS de 03 de março,
que abrange os trabalhadores não docentes.“Estão
a usar os serviços mínimos decididos no tribunal arbitral para o
pré-aviso de greve do STOP [Sindicato de Todos os Profissionais de
Educação] e estão a aplicar a todos os trabalhadores”, afirmou o
sindicalista, acrescentando: “Temos trabalhadores que estavam inscritos
nas camionetas para virem para Lisboa e que foram confrontados numa
escala de serviços mínimos em que estão a trabalhar”.“Façam
aplicar os serviços mínimos a quem não quiser fazer greve e a quem
esteja com a greve do STOP”, sublinhou o sindicalista, insistindo: “Não
tem lógica nenhuma estar a obrigar estes trabalhadores a fazer serviços
mínimos. Isso é pôr em causa o direito à greve”.Artur
Sequeira disse que a federação “não alinha com as greves do STOP”, que
considera “selvagens”: “Estão apenas a servir para (…) dar fundamento ao
Governo para justificar que se esteja a fazer serviços mínimos em
setores” que não o requerem por lei, exceto em caso de provas nacionais e
exames nacionais.Os trabalhadores não
docentes dos estabelecimentos de educação e ensino da rede pública vão
estar em greve por 24 horas no dia 3 de março - Continente e Região
Autónoma da Madeira -, num dia para o qual está igualmente agendada uma
manifestação nacional, a partir das 15:00, que sairá do Jardim da
Estrela (Lisboa) para o Ministério da Educação, na Av. 24 de julho.A
jornada de luta promovida pela FNSTFPS serve para exigir, entre outras
matérias, a criação das carreiras específicas de auxiliar de ação
educativa, assistente de ação educativa e administração escolar, além da
valorização da carreira de técnico superior e da vinculação de todos os
técnicos especializados com contrato a termo certo.A
revisão da portaria de rácios e a dotação de pessoal não docente que
corresponda às necessidades dos estabelecimentos, para além da defesa da
escola pública, são outras das reivindicações.A
federação reitera a sua posição “contra a municipalização da escola
pública e de exigência da reversão da transição dos trabalhadores não
docentes para os municípios”, alegando que este processo “visou apenas a
desresponsabilização do Governo das suas obrigações constitucionais no
âmbito das funções do Estado”.“A
municipalização destrói o processo de tratamento igual em todo o país, a
escola pública universal e inclusiva (…). São 277 municípios, cada um
com as suas características, nomeadamente financeiras”, sublinhou Artur
Sequeira.O responsável lembra que os
trabalhadores não docentes passaram todos para as autarquias locais,
explicando: "Os que eram do Ministério da Educação têm lá uma
prerrogativa que se mantêm e os que não têm a prerrogativa são todos
contratados pelas câmaras e não ficam em exclusividade" na escola, sendo
destacados muitas vezes para outros serviços da autarquia"Há
câmaras municipais onde não há exclusividade [destes trabalhadores nas
escolas] e isto põe em causa o próprio funcionamento das escolas",
acrescentou o sindicalista, sublinhando: “Queremos que haja uma
reposição da situação anterior”.