Fecho noturno da secção de bombeiros no Topo foi decisão da associação
Hoje 16:36
— Lusa/AO Online
Segundo
a presidente da Junta de Freguesia do Topo, Noélia Brasil, a Secção
Destacada dos Bombeiros Voluntários da Calheta, que funcionava naquela
localidade durante 24 horas, deixou de assegurar o período noturno
(19h00 - 08h00) desde 01 de janeiro.O
serviço noturno é agora assegurado pelos Bombeiros Voluntários da
Calheta, “que ficam mais ou menos a 30 quilómetros” de distância, disse
no domingo a autarca à agência Lusa.O assunto foi abordado no parlamento regional dos Açores, na Horta, pelo
deputado socialista José Ávila, durante o debate de urgência sobre
"Prevenção, Plano de Catástrofes e Capacidade de Resposta da Região",
pedido pelo Chega.José Ávila afirmou que
as associações de bombeiros “continuam cronicamente subfinanciadas,
empurradas para dificuldades financeiras que resultam diretamente da
prestação de serviços essenciais que o Governo [Regional] não
comparticipa de forma justa nem adequada”.“Ao
deixar encerrar, durante a noite, o posto avançado dos bombeiros da
Calheta na vila do Topo, o Governo falha gravemente na sua
responsabilidade de garantir proteção civil eficaz e deixa as populações
daquele lado da ilha mais vulneráveis em situações de emergência”,
afirmou.Na resposta, o secretário regional
do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, disse que “o encerramento
noturno da secção da Calheta foi uma decisão da associação de bombeiros
da Calheta”, tal como foi a sua abertura em 1996.“Os
meios que nós temos alocados àquela secção e àquele corpo de bombeiros,
são exatamente os mesmos. E são, por sinal, reforçados com o modelo de
financiamento que também não existia na altura em que o Partido
Socialista governava, que começou com meio milhão de euros e neste
momento está em 750 mil euros”, disse.Alonso
Miguel garantiu que “não houve alteração nenhuma” no financiamento do
corpo de bombeiros e que a decisão de encerrar o serviço noturno foi uma
decisão da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários
da Calheta (AHBVC).O governante acrescentou que a atividade “casuística na secção do Topo é de um acontecimento noturno de 12 em 12 dias”.Referiu
que existem outras situações na região, nomeadamente nas Lajes das
Flores, “cuja casuística é muito maior” e também não tem serviço
noturno, nem nunca teve, porque a associação decidiu que não o faria.O
fecho noturno da secção de bombeiros da Calheta no Topo está a
preocupar a junta de freguesia, que teme atrasos na emergência
pré-hospitalar devido à distância, mas a corporação garante que o
socorro “está garantido”.“Isso [o
encerramento no período noturno] não seria um problema, se não
existissem determinadas condições que complicam um bocadinho a
assistência e que podem atrasar os tempos de resposta da emergência
pré-hospitalar, nomeadamente nós temos uma situação, que é a serra do
Topo, que é conhecida por todos pelos seus nevoeiros intensos e que
prevalecem a maior parte do ano”, relatou à Lusa a presidente da Junta
de Freguesia do Topo.Em caso de emergência, o nevoeiro “dificulta e atrasa bastante a chegada dos bombeiros”, disse Noélia Brasil.Numa
declaração escrita enviada à Lusa, a presidente da direção da AHBVC,
Leocádia Silva, esclareceu que a Secção Destacada do Topo iniciou a
atividade em 1996 e o seu funcionamento “tem sido assegurado com os
meios humanos e materiais provenientes do quartel sede da Calheta, sendo
a sua afetação determinada em função das exigências operacionais e da
capacidade disponível em cada momento, sempre no cumprimento do
enquadramento legal aplicável”.O regime de
prevenção noturna anteriormente existente “resultou de uma opção
autónoma da associação, adotada em contexto distinto, quando dispunha de
recursos humanos e financeiros que permitiam assegurar, por iniciativa
própria, um modelo de funcionamento adicional e diferente do dispositivo
financiado” pelo Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos
Açores (SRPCBA).Segundo Leocádia Silva, a
decisão “não decorre de qualquer alteração, redução ou encerramento do
dispositivo financiado pelo SRPCBA, o qual se mantém plenamente
garantido nos termos contratualizados”.A
presidente da AHBVC afirma que o socorro “está garantido nas freguesias
do Topo e de Santo Antão, à semelhança do que sucede no restante
concelho”.