FBI divulga centenas de documentos desclassificados sobre investigações ao 11 de setembro
4 de nov. de 2021, 18:05
— Lusa/AO Online
Durante
anos os agentes do FBI investigaram o apoio dado aos sequestradores
após a sua chegada aos Estados Unidos da América, tendo-se focado em
perceber se três cidadãos de nacionalidade saudita – incluindo um
funcionário da embaixada saudita em Washington – tinham conhecimento
prévio dos ataques.Porém, os
investigadores não encontraram provas suficientes para acusar nenhum dos
três cidadãos de apoio ilegal aos sequestradores, segundo um memorando
do FBI, de maio, que encerrou a investigação e que consta entre as mais
de 700 páginas hoje divulgadas.Segundo a
Associated Press, no referido memorando o FBI observa que a Al-Qaeda
compartimentou os papeis dentro dos ataques principais e “não revelou
antecipadamente a outros os planos de ataque” com receio de fugas de
informação.“Concretamente, em relação aos
ataques do 11 de setembro, os sequestradores sabiam que se tratava de
uma operação de martírio, mas não conheciam a natureza da operação até
pouco tempo antes do ataque, por razões de segurança operacional”,
refere o memorando do FBI.Estes documentos
foram os materiais mais recentes a serem divulgados na sequência de uma
ordem executiva do Presidente Joe Biden, com o objetivo de tornar
públicos os relatórios das investigações sobre os ataques, que estavam
classificados.Um outro documento separado
sobre a investigação foi divulgado por ocasião do 20 .º aniversário dos
ataques às Torres Gémeas e ao Pentágono.A
AP adianta que a embaixada da Arábia Saudita em Washington não respondeu
a um pedido de comentário formulado esta quarta-feira, mas em setembro
emitiu um comunicado em que sublinhava que qualquer alegação de
cumplicidade é maliciosa e categoricamente falsa.As
investigações produzidas pelas autoridades norte-americanas ao longo
destas duas décadas documentaram o apoio dado por funcionários do
governo saudita a vários sequestradores após a sua chegada aos Estados
Unidos, mas o memorando do FBI que encerra a investigação diz que a
agência “não identificou grupos ou indivíduos adicionais responsáveis
pelos ataques além dos atualmente acusados”.Ainda
assim, os documentos revelam novos detalhes sobre os esforço do FBI em
investigar um possível envolvimento do governo saudita e o apoio dado
por cidadãos sauditas nos EUA aos dois primeiros sequestradores a chegar
aos Estados Unidos: Nawaf al-Hazmi e Khalid al-Mihdhar.