“Faz parte do DNA açoriano querer regressar e fazer alguma coisa pela região”, diz Duarte Pimentel
10 de mar. de 2019, 16:26
— Tatiana Ourique / AO Online
Creative Tech foi como se chamou o encontro que decorreu na
passada sexta feira em Angra do Heroísmo. O Workshp contou com cerca de 30
participantes e juntou diversas áreas empresariais. Entre os oradores estiveram
alguns empresários terceirenses que pretendem instalar-se no Terinov.
Cultura, criatividade, tecnologia, empreendedorismo e
indústria estiveram nas bases das 8 intervenções. A sessão arrancou com a
abertura de Duarte Pimentel que garantiu que o parque de ciência e tecnologia
estaria de portas abertas a todas as novas ideias de negócio.
Samuel Valente, jovem engenheiro informático lajense abriu a
manhã e apresentou a Purpled, uma empresa de conteúdos web, criada em 2013 em
resposta às necessidades do mercado. O jovem disse ao Açoriano Oriental que
estes encontros fazem falta aos empresários instalados para trocar ideias e
irem evoluindo e enriquecendo o seu percurso. “Neste momento criamos uma nova
marca, a “Bridal Office” em que criamos convites, menus,sitting plans e todo o
design gráfico para casamentos.” Apesar de saber que trabalha com clientes
muito exigentes, o jovem empresário garante que quando corre bem o “passa a
palavra” é a melhor publicidade e a exposição do negócio a centenas de pessoas
tem sido uma boa montra para o seu trabalho. “Não é uma ideia inovadora. É só
um modelo de negócio quase inexistente na Terceira e, como tal, vimos nele uma
oportunidade”. O engenheiro informático garante que sempre quis voltar aos
Açores depois do curso na Universidade do Minho e que, à data, e sem
conhecimento ou orientação, foi mais difícil arrancar com a Purpled. Atualmente
o jovem alia o trabalho na função pública com a empresa e admite que não é
fácil mas reconhece que aos 29 ainda tem energia para conciliar tudo.
A manhã seguiu com a apresentação da IDEASTATION por Luís
Nunes. A empresa localizada em São Miguel já tem extensão internacional mas
pretende, agora, contratar uma equipa na ilha Terceira com enfoque na área da
engenharia informática.
Gustavo Lima de 34 anos e Vanessa Canto de 29 são dois
jovens terceirenses a residir no Porto. Ele tem formação em Gestão de Serviços
de Saúde. Ela formou-se em economia e, paralelamente, em dança. Finda a
licenciatura decidiu rumar a Nova Iorque para aprofundar estudos em dança, área
onde agora dá formação. Juntaram “know how” e criaram a plataforma “MOOT – The Movement
Lab” que pretende disponibilizar planos de treino para bailarinos. Foi uma ideia
que surgiu de uma necessidade da jovem quando se deslocava a zonas mais periféricas para dar formação e depois sentia que não conseguia dar continuidade no
acompanhamento “Cheguei a criar grupos de Facebook mas depois ficavam para lá
perdidos na imensidão de grupos e páginas e a ligação aos alunos ia-se diluindo”.
A plataforma pretende ter vídeos de planos de treinos específicos e personalizados
para cada utilizador. A MOOT- The Movement Lab está atualmente incubada no
UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto mas o objetivo
dos jovens da Praia da Vitória “É retornar e trazer a plataforma também para os Açores
uma vez que o objetivo dela é precisamente ser utilizada nas zonas periféricas.
Assim podemos vir cá dar formação física e os alunos continuam a fazer a
formação através da plataforma”. O projeto é ainda embrionário e está em fase
de investimento e nesse contexto os empreendedores pretendem a parceria do
Terinov.
A segunda parte da manhã abriu com Hélder Loio, que veio
apresentar a empresa “TUU”, uma empresa bem sucedida de planeamento e gestão de
projetos para obras eficazes. No fundo trata-se de uma mediação entre o dono da
obra e todos os agentes de produção.
De seguida aconteceu mais um regresso a casa. Antonieta
Durão é terceirense e detentora da marca “Nieta Atelier”. Uma marca de artigos
de decoração de charme a partir de desperdícios. Atualmente vive e trabalha em
Guimarães. Nieta tem projetos que envolvem a paz e o bem estar e as cores dos Açores e, ao participar
no Workshop, mostrou interesse em conseguir parceiros na terra natal.
Marco Bettencourt esteve recentemente nas bocas do mundo dos
videojogos. Redcatpig são os estúdios que produzem o KEO, o jogo que venceu a
4ª edição dos Prémios PlayStation Talents em Portugal e que vai usufruir de
algumas vantagens para fazer chegar o jogo final à marca de videojogos mais
poderosa do mundo. No seu estilo habitualmente descontraído Marco Bettencourt
frisou todas as dificuldades que têm sentido na produção do KEO que já tem selo
de qualidade.
Já quase na fase final foi orador Felipe Costa, da Infraspeak, uma
empresa que desenvolve uma
inovadora plataforma de gestão de operações técnicas e manutenção. O software
utiliza tecnologias como NFC, APIs, Apps e sensores para tentar aumentar a
eficiência das equipas e reduzir custos de operação.
O encontro terminou com Paulo
Caridade, da SPACE LAYER TECHNOLOGIES, uma empresa que avalia a qualidade do ar
para que a população esteja sempre informada dos riscos que corre a cada dia
que saia à rua.Depois do encontro Duarte
Pimentel esteve à conversa com o AO e explicou em que consiste o TERINOV. “Em dezembro
passado organizamos o primeiro workshop de arranque do conceito que assentou na
área do AgroBusiness, o “AgroTech”. Agora promovemos o Creative Tech porque são
estas as áreas em que o TERINOV pretende operar. Enquanto parque de ciência o
nosso objetivo é que comecem a existir um empreendedorismo de base tecnológica
e baseado na inovação como forma de rejuvenescer o tecido empresarial dos
Açores através de novos produtos e serviços e da optimização dos modelos já
instalados.”
Quanto ao regresso de jovens açorianos à Terceira, Duarte Pimentel garante que,
mesmo antes de arrancar formalmente, este é o maior reconhecimento que o parque
poderia ter nesta fase: “é o melhor selo de qualidade que podia ser dado ao
Terinov. É perceber que alguns jovens percebem as potencialidades e que este
pode ser um ecossistema empresarial muito interessante e com sinergias que
podem servir os seus propósitos enquanto empreendedores.”
O também regressado jovem diretor
diz que há, no ADN Açoriano, uma ideia romântica de regressar e fazer algo pela
região. “Vão buscar fora mas depois querem vir aplicar na região”. Duarte
Pimentel garante que muitas empresas precisam acima de tudo de um espaço para poderem
operar e garante que o parque tecnológico “tem condições muito vantajosas mas
que essas condições não se esgotam nas infraestruturas. O Terinov terá programas
de incubação adaptados às necessidades dos instalados e junção de sinergias com
outras empresas instaladas, com a Universidade dos Açores e com outras
universidades, com a Câmara do Comércio e com outras entidades cujos protocolos
já estão firmados”.
Um grande foco do parque é o “AgroBusiness”
e havendo qualidade é tudo agora uma questão de comunicação : “O importante é conhecer a
nossa matriz cultural e aliá-la à criatividade. A qualidade está lá. Em alguns
momentos falta desenvolver e apoiar na forma como o produto é apresentado ao
mercado. Criatividade não falta na região e a nova geração vem munida de todas
as ferramentas necessárias para potenciá-la.”
Atualmente o Terinov tem 8
empresas instaladas de um total de 15 espaços disponíveis. Duarte Pimentel
garante que o número de abordagens ultrapassou os 30 mas muitas das propostas
eram “tão júniores que ainda não estavam devidamente registadas como empresas.
Mas para esses casos teremos também resposta em breve. Vamos oferecer um
serviço de incubação online e vamos poder acompanhar desde a fase embrionária.”
O Terinov possui também a
valência de “Co-Work”, em regime “open space” em que os empresários podem usufruir
de diversos planos: diário, semanal, mensal e anual. Também poderão usar alguns
serviços necessários à laboração.