Fase 2 do plano de vacinação foi definida para cenário de “abundância” de vacinas
Covid-19
13 de abr. de 2021, 16:18
— Lusa/AO Online
“A
vacinação terá dois ramos: O maioritário, composto por faixas etárias
decrescentes, e outro no qual serão vacinadas pessoas que apresentem
doenças associadas a risco para Covid-19 grave, que não têm uma relação
com a idade”, adiantaram à Lusa a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a
`task force´ que coordena o plano.Segundo
as mesmas fontes, neste segundo grupo serão incluídas as pessoas mais
novas com patologias e que beneficiam de ser vacinadas prioritariamente,
como, por exemplo, as transplantadas e com doenças neuromusculares,
entre outras doenças que estarão previstas na atualização da respetiva
norma da DGS.De acordo com a DGS e a `task
force´ liderada pelo vice-almirante Gouveia e Melo, a vacinação por
faixas etárias decrescentes, recomendada pela Comissão Técnica de
Vacinação, é um “critério válido” do ponto de vista de saúde pública num
“cenário de abundância de vacinas”, já que a idade avançada é um dos
principais fatores de risco para a Covid-19 grave.“Por
outro lado, grande parte das doenças associadas a maior risco de
internamento e morte por covid-19 têm também um padrão etário - são
tanto mais frequentes quanto maior for a idade -, como é o caso da
diabetes tipo 2 e da hipertensão arterial”, explicaram as mesmas fontes.Nesse
sentido, e de acordo com a DGS e a `task force´, uma “vacinação rápida
por faixas etárias decrescentes” permite também a vacinar as pessoas com
grande parte das doenças identificadas inicialmente para a fase 2 do
plano de vacinação.A DGS e a `task force´
salientaram ainda que a fase 1 do plano, que arrancou a 27 de dezembro
de 2020, foi definida com base num cenário de escassez de vacinas, o que
obrigou a uma estratégia de atribuir prioridade às pessoas com maior
risco e vulnerabilidade de contrair a infeção por SARS-CoV-2 e cuja
vacinação poderia em evitar a mortalidade e internamentos por Covid-19.A
fase 2 tinha sido definida, inicialmente, como de transição de escassez
para suficiência de vacinas e a fase 3, a última do plano, para ser
implementada num cenário de abundância de vacinas.“Esta
transição será mais rápida do que inicialmente previsto. Verificando-se
que a passagem de um cenário de escassez se fará muito rapidamente para
um cenário de abundância, impõe-se uma adaptação da estratégia vacinal
que tinha sido definida”, asseguraram as duas entidades.A
DGS e a `task force´ perspetivam que os grupos prioritários incluídos
no critério “salvar vidas” da fase 1 do plano, para reduzir os
internamentos e a mortalidade, estejam quase todos vacinados esta
semana.Caso alguma administração regional
de saúde termine a fase 1 com dias de antecedência e exista
disponibilidade de vacinas, inicia-se imediatamente a fase 2 do plano,
adiantaram as duas entidades, que preveem que o processo de auto
agendamento para vacinação esteja disponível até final deste mês no
portal covid-19 do Ministério da Saúde.Para
este novo impulso na vacinação, Portugal deve receber neste segundo
trimestre perto de nove milhões de vacinas, distribuídas por 4.137.503
doses da Pfizer, 794.968 doses da Moderna, 1.600.000 doses da
AstraZeneca, 1.248.828 doses da Janssen, 733.333 doses CureVac e 349.662
doses da Novavax.Na quinta-feira, deveriam chegar a Portugal as primeiras 31.200 vacinas de toma única da Janssen
(Johnson & Johnson), no entanto, este
calendário ser comprometido pelo anúncio feito hoje
pela Johnson & Johnson de que tomou a decisão de "atrasar a
distribuição" da sua vacina contra a covid-19 na Europa, após as
autoridades norte-americanas terem recomendado "uma pausa" no seu uso
nos EUA.O Centro para Controlo e Prevenção
de Doenças e a Food and Drug Administration (entidade reguladora de
alimentos e medicamentos dos Estados Unidos) anunciaram hoje, numa
declaração conjunta, estar a investigar coágulos sanguíneos detetados em
seis mulheres nos dias a seguir a terem tomado a vacina desta
farmacêutica, em combinação com contagens de plaquetas reduzidas.A
farmacêutica norte-americana disse que está a aguardar resultados de
estudos feitos pelas autoridades de regulação e controlo, antes de
proceder à distribuição das suas vacinas de dose única na Europa,
admitindo as suspeitas sobre os casos de coágulos sanguíneos.Até
ao momento, apenas as vacinas da Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen
têm autorização da Agência Europeia do Medicamento, estando as outras
duas ainda em avaliação continua pelos especialistas do regulador
europeu.