Farmácias reuniram 120 mil assinaturas em petição entregue na AR para salvar o setor
16 de abr. de 2019, 18:15
— Lusa/AO Online
Em comunicado, a Associação
Nacional de Farmácias (ANF) recorda que quase 680 farmácias enfrentam
processos de penhora e insolvência e que, com esta petição, querem
mostrar ao Governo que pretendem um “acordo profissional” para garantir
acesso igual a medicamentos e a serviços farmacêuticos.A
petição “Salvar as Farmácias, Cumprir o SNS” contou com a adesão das
ordens profissionais da Saúde (médicos, dentistas, farmacêuticos e
enfermeiros) e de representantes do setor do medicamento como a
Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA) e a
Associação de Distribuidores Farmacêuticos (ADIFA). A
Plataforma Saúde em Diálogo, que reúne associações de doentes e de
consumidores, a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) e o
presidente do SAMS Quadros - Serviço de Assistência Médico-Social do
Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários também se associaram
a esta iniciativa.Nomes como os das
escritoras Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães, dos atores Eunice Muñoz e
Ruy de Carvalho, do maestro Rui Massena, da fadista Cuca Roseta e da
piloto Elisabete Jacinto fazem igualmente parte das personalidades que
assinaram a petição.No texto da petição,
as farmácias recordam que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) comemora 40
anos e que a melhor forma de o celebrar é “garantir a sua sobrevivência
no século XXI”.“O SNS não pode encolher,
nem se afastar das pessoas. Tem de garantir o direito à saúde a todos os
portugueses, independentemente da sua condição económica, residência,
ideologia, raça ou religião. Tem de resistir aos terríveis problemas da
desertificação e do encerramento desmedido de serviços de proximidade”,
escrevem os promotores da iniciativa.Recordam
que as farmácias “aproximam o SNS dos cidadãos, garantindo o primeiro
apoio na doença, acesso seguro aos medicamentos e aconselhamento em
saúde” e que, com mais de três farmacêuticos por farmácia, “a rede
portuguesa é uma das cinco melhores do mundo”.“As
farmácias sempre combinaram inovação tecnológica e inovação em saúde
pública. Implementaram programas de saúde pública pioneiros no mundo,
como o Programa Troca de Seringas”, acrescentam.“Ainda
há uma farmácia próxima de cada português, mesmo nas terras onde fechou
a extensão do centro de saúde, a escola, o tribunal e outros serviços
públicos. É isso que está em risco”, alertam os promotores, sublinhando
que, neste momento, 675 farmácias enfrentam processos de penhora e
insolvência, o que corresponde a quase 25% da rede.Os
signatários desta petição pedem à AR que assuma um programa legislativo
com o objetivo de garantir a igualdade e a equidade de todos os
portugueses no acesso aos medicamentos, atribuir incentivos e melhores
condições de funcionamento às farmácias mais frágeis, evitando o seu
encerramento, e proibir a concentração de farmácias e a sua instalação
dentro dos hospitais.Querem ainda que este
programa ajude a combater as falhas de medicamentos, garantindo aos
doentes o acesso na farmácia a todos os fármacos receitados pelos
médicos, promova o uso racional dos medicamentos, proibindo “qualquer
prática que incentive o seu consumo, como os descontos nos medicamentos
com preço fixado pelo Estado”.Entre os
objetivos deste programa legislativo que a AR deveria assumir estão
ainda a fixação de um critério de remuneração igual para todos os
agentes do setor do medicamento, “que permita uma remuneração justa e
adequada do serviço farmacêutico, sem pôr em causa o processo de
consolidação das contas públicas”.As
farmácias querem ainda que se promova a dispensa nestes locais de
medicamentos oncológicos e para o VIH-sida, a vacinação contra a gripe e
outras intervenções em saúde pública, com particular atenção aos
doentes crónicos.