Farmacêuticos do hospital de Ponta Delgada apresentaram escusas de responsabilidade
14 de dez. de 2023, 11:03
— Lusa/AO Online
“Treze
farmacêuticos, que são a totalidade dos farmacêuticos em pleno
exercício de funções no HDES, apresentaram a escusa de
responsabilidade”, alegando “falta de recursos humanos que põem em causa
a sua atividade diária”, adiantou a delegada Regional nos Açores da
Ordem dos Farmacêuticos (OF), Juliana Matos.Segundo
a representante, os farmacêuticos também apontam “carências e falta de
intervenções nos recursos físicos existentes e a degradação dos que [o
HDES] já tem, e que condicionam o bom exercício farmacêutico”.Juliana
Matos adiantou estar em causa a resolução de questões que “já são
reportadas há algum tempo pela direção dos serviços farmacêuticos e que,
até agora, não tiveram ‘feedback’, nem nenhuma resolução, pelo Conselho
de Administração” do hospital.Os
farmacêuticos enviaram um ofício à administração e à secretária Regional
da Saúde e, de acordo com a delegada regional da OF, “aguardam-se
informações acerca de eventuais prazos” para resolução das questões que
estão na origem da situação.Em comunicado,
a OF informou que recebeu declarações de exclusão de responsabilidade
assinadas por todos os farmacêuticos em exercício nos Serviços
Farmacêuticos do HDES, por considerarem que "a qualidade e a segurança
dos atos farmacêuticos” praticados nesta unidade do Serviço Regional de
Saúde dos Açores "estão comprometidas”.Os
profissionais denunciam "carências de recursos humanos e a degradação de
recursos materiais” que aumentam "riscos de contaminação” e "ocorrência
de erros”, colocando em causa o cumprimento das boas práticas em
farmácia hospitalar.Até agora, a OF
recebeu 210 escusas de responsabilidade de 16 estabelecimentos do
Serviço Nacional de Saúde (SNS), “alegando falta de condições materiais e
de recursos humanos para desenvolver a sua atividade com a qualidade e a
segurança que o acesso a uma tecnologia de saúde requer”.Sobre
a situação verificada no HDES, o deputado do PS/Açores Tiago Lopes
considerou, em comunicado, que reflete a “atual carência de condições
para os profissionais de saúde do Serviço Regional de Saúde”.“A
razão para esses pedidos advém da falta de recursos humanos, bem como
da degradação das condições materiais dos serviços, fruto da inação
governativa ao longo dos últimos três anos”, acrescentou.Na
opinião do socialista, o Serviço Regional de Saúde “precisa
urgentemente de recuperar e adquirir as condições necessárias para a
prestação de cuidados de saúde com a devida segurança e qualidade”.