“Farfalha” condenado pela terceira vez por crimes sexuais contra menores

Hoje 09:20 — Nuno Martins Neves

Pela terceira vez desde 2003, José Augusto Pavão, mais conhecido como “Farfalha”, foi condenado pelo Tribunal de Ponta Delgada pela práticas de crimes sexuais contra menores. Depois das condenações de 14 anos, em 2005, e de 11 anos, em 2021, o antigo pintor de construção civil foi, no início deste ano, condenado a 15 anos de prisão, pela prática dos crimes de lenocínio, agravado, importunação sexual e coação sexual sobre menores.Recuemos até ao início do século: com o continente em polvorosa com o escândalo de pedofilia da Casa Pia, que tinha rebentado um ano antes, os Açores eram “sacudidos” em 2003 com um caso semelhante. A garagem do “Farfalha”, localizada no concelho da Lagoa, era o local onde diversas crianças foram abusadas sexualmente por quase duas dezenas de pessoas.O caso, iniciado com uma denúncia feita pela Comissão de Proteção de Crianças e Menores da Lagoa, ficou marcado pela celeridade (em contraponto com o caso Casa Pia), com a leitura da sentença a tomar lugar no dia 26 de abril de 2005.“Farfalha”, tido como o responsável pela rede de pedofilia, seria condenado a 14 anos de prisão, de onde sairia em julho de 2013, em liberdade condicional.Mas a cadeia não alterou José Pavão: em 2019, seria acusado pelo Ministério Público da autoria de três crimes de violação de menores, um crime de coação sexual de menor, dois crimes de recurso à prostituição de menores e um crime de tráfico de estupefacientes agravado, factos ocorridos ao ano de 2017. Seria condenado, em 2020, a 11 anos de prisão efetiva por crimes de natureza sexual envolvendo menores.Agora, foi condenado pela terceira vez, novamente por crimes da mesma natureza, mas cometidos desde 2013 - ano em que saiu em liberdade condicional - e 2020.Desta vez, a pena foi a mais pesada até agora - 15 anos - tendo o tribunal considerado ter ficado provado que “fomentou e lucrou com a prostituição de uma das vítimas, aproveitando-se da sua toxicodependência e vulnerabilidade, importunou sexualmente uma vítima de 17 anos e praticou atos sexuais de relevo noutra, de 15 anos, com perturbação do espetro do autismo; e aproveitou-se da vulnerabilidade de outra vítima e constrangeu-a a praticar atos sexuais”.