Famílias açorianas com mais capacidade de pagar despesas
21 de mar. de 2024, 07:45
— Paula Gouveia
Os Açores deixaram de ser a região do País onde se vive
com maior dificuldade em pagar as contas básicas de alimentação,
educação, habitação, lazer, mobilidade e saúde.Segundo o Barómetro
da Deco Proteste, em 2022, o arquipélago tinha o índice mais baixo da
capacidade financeira das famílias (37,2), subindo no ano passado para
42,2, e deixando, assim, de estar no fim da lista classificados como a
zona do País onde se vive pior. O índice varia entre 0 e 100 e,
quanto mais elevado for o número, maior é a facilidade dos agregados
familiares em pagarem as despesas.Os dados de 2023 mostram que agora
é no Alentejo e no Centro que se vive com maiores dificuldades (41,9),
sendo Castelo Branco o distrito em pior situação e Bragança onde se vive
“com maior desafogo”. O barómetro tem por base as respostas de 6734
portugueses, tendo 75% admitido ter dificuldades para saldar as suas
contas e estando 7% em “situação crítica”.Segundo a Deco Proteste,
“a crise na habitação terá sido responsável pelo maior aperto financeiro
das famílias no último ano, retirando o magro alívio proporcionado pela
descida da inflação”. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística
(INE), a taxa de juro média em 2023 foi de 3,612%, contra 1,084% no ano
anterior. “Não surpreende, por isso, que quase 28% das famílias tenham
problemas em pagar o empréstimo junto do banco” e que 23% dos inquilinos
sintam dificuldades em pagar a renda da casa.De facto, segundo a
Deco Proteste, “os encargos com habitação, educação e atividades de
lazer foram os que sofreram um acréscimo de dificuldade face a 2022”,
tendo os restantes caído.“A inflação continua a impactar
negativamente um número considerável de portugueses”, sendo que “quase
nenhuma família escapou ao efeito da inflação na hora de pagar as
contas”.Deste modo, refere-se no Barómetro, “cerca de um terço (31%)
revela sentir muito mais dificuldades em pagar as despesas essenciais, e
4% referem mesmo que é missão impossível; e apenas uma minoria (6%) não
sofreu impacto com a subida dos preços dos bens. As despesas de
educação, em particular as relacionadas com o ensino superior, também se
agravaram para 30% dos portugueses, avança o Barómetro da Deco
Proteste. São as famílias monoparentais e numerosas, bem como os
agregados em que um dos membros está desempregado, as que estão mais
vulneráveis.