Faltam psicólogos nas Flores para acompanhamento da população em "várias valências"
19 de mai. de 2022, 10:07
— Lusa/AO Online
“Embora
existam três profissionais que tentam dar a máxima resposta possível e
fazem um esforço muito grande, seria importante acautelar-se mais algum
reforço tendo em conta as características de insularidade na ilha das
Flores”, disse Francisco Miranda Rodrigues, em declarações à agência
Lusa.O bastonário da Ordem dos Psicólogos
Portugueses (OPP) e a direção regional dos Açores visitaram hoje a ilha
das Flores, onde reuniram com psicólogos.A
ilha tem atualmente no ativo três psicólogos, dois dos quais afetos ao
contexto escolar e um ao trabalho mais ligado a área da violência, na
dependência da Santa Casa da Misericórdia.Quanto
ao centro de saúde, a única psicóloga "está atualmente de baixa médica"
e "a unidade está temporariamente sem cobertura", recorrendo
temporariamente a "um recurso fora da ilha", sinalizou o bastonário.Existe uma vaga a concurso que permitirá expandir de uma para duas as psicólogas naquela unidade de saúde.Francisco
Miranda Rodrigues disse que, apesar de "estar aberta uma vaga para um
segundo psicólogo" na unidade saúde das Flores, seria "importante"
acautelar já uma substituição temporária, sublinhando que existem
"situações que exigem intervenções mais continuadas"."A
ilha das Flores necessita de um reforço de profissionais. A verdade é
que é difícil aplicar rácios quando as condições no terreno são tão
diferenciadas e com isolamento", sustentou o bastonário da Ordem dos
Psicólogos.Segundo Francisco Miranda
Rodrigues, a falta de recursos nas Flores exige que "os psicólogos de
várias áreas se complementem na sua ação"."Muitas
vezes, o psicólogo tem de fazer o apoio aos vários elementos da família
mesmo em situações onde isto não seria desejável", alertou Francisco
Miranda Rodrigues, ao destacar que o trabalho em rede também
beneficiaria muito a população das Flores porque "permitiria separar as
intervenções".O bastonário, que esteve
também na ilha de São Miguel, evidenciou "o forte compromisso" dos
psicólogos que trabalham nas escolas e "na adaptação que está a começar a
ser feita à legislação sobre inclusão", onde os profissionais "têm um
papel preponderante". "Fica evidente
também não só o forte compromisso destes profissionais em trabalharem
estas matérias, mas também da importância do contributo que podemos dar
enquanto psicólogos e que a psicologia tem a dar, enquanto ciência, às
políticas públicas", sublinhou.O bastonário destacou ainda os concursos abertos pelo Governo Regional para as unidades de saúde nos Açores."Foram
prometidas algumas dezenas de contratações pelo Governo Regional e
vários destes concursos estão já em curso. E, realmente esse reforço é
muito importante", disse, lembrando que, no caso das escolas, os
profissionais têm muitas vezes de estar a dar "mais reposta às
emergências mais clínicas e não propriamente a desenvolver um trabalho
preventivo" e sobre as aprendizagens que "é suporto exercerem" nos
estabelecimentos de ensino.