Falta um plano nacional de infraestruturas a Portugal
28 de mai. de 2025, 14:49
— Lusa/AO Online
“Temos de ser
capazes de estruturar e planear com muito mais ênfase e muito melhor
aquilo que é o todo nacional. Não temos um plano de nacional de
infraestruturas e nunca tivemos”, salientou Fernando de Almeida Santos,
na sessão de abertura da conferência inaugural do "Ano OE para a Coesão
Territorial", que decorre durante o dia em Conímbriga, no concelho de
Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra.O
dirigente recordou que Portugal tem um plano nacional rodoviário criado
de 1980 “com alguns remendos e por completar, em que o IP3, na região
Centro, é exemplo disso, e um recém-criado plano nacional ferroviário,
com um âmbito de 2050, que é de saudar, mas depois faltam planos de
quase tudo”.Salientando que Portugal
aprovou recentemente a construção de um aeroporto de grande envergadura,
“que de facto necessita”, o bastonário da OE salientou que se tratou de
uma “decisão conjuntural de todos os aeroportos portugueses dissociada
dessa realidade, perguntamos porque não existe um plano nacional
aeroportuário e já agora portuário e de mobilidade urbana, porque parece
que só temos Lisboa e Porto”.“Depois vêm
uns pozinhos, é como uma mesa de pingue-pongue, em que as bolas que
saltam fora, que são poucas, vão parar a determinado tipo de outros
concelhos para estarem mais ou menos calados”.Fernando
de Almeida Santos lamentou que, por exemplo, o Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR), que dotou o país de 16.000 milhões de euros, e cerca
de 2.500 milhões de euros para a mobilidade urbana, dos quais 2.300
milhões sejam aplicados nos metros de Lisboa e Porto, o que denota “que
alguma coisa não está bem em Portugal”.“Quando
falamos de coesão territorial, isto cria desequilíbrios muito grandes, e
só acontece porque precisamente não temos nada planeado e temos de
esvaziar o dinheiro para aplicações, que é mais fácil para estruturas do
Estado, como estes metros, do que criar estruturas novas ou repartir de
forma equitativa por aquilo que dota Portugal de um Produto Interno
Bruto uniforme”.O bastonário da OE
reconhece que as cidades de Lisboa e Porto são mais importantes do que
as outras, “não está em causa, mas a diferença” não pode ser de “99%
face às outras”.“Temos claramente de ter um plano estrutural para Portugal e não temos tido”, sublinhou.Na
intervenção de hoje, o responsável máximo da OE criticou ainda a falta
de disponibilidade da Associação Nacional de Municípios Portugueses
(ANMP) para debater as dificuldades das autarquias na contratação
daqueles profissionais ou participar nas suas iniciativas.“Como
bastonário não estou minimamente satisfeito com essa indisponibilidade
institucional, ainda por cima face ao fortíssimo problema que atinge
todo o país e cuja necessidade até é mais dos municípios do que
propriamente da OE”, disse à agência Lusa Fernando Almeida Santos.Para
o bastonário, a falta de engenheiros em Portugal e, principalmente, a
fortíssima necessidade de as câmaras municipais recrutarem estes
profissionais, cuja carreira devia ser individualizada, tinham de
merecer da ANMP outro tratamento institucional.Até
ao Dia Nacional do Engenheiro, que se comemora a 24 de novembro, a OE
vai realizar outras iniciativas, a próxima já na segunda-feira, em
Aveiro, que é um encontro nacional de engenheiros municipais e da
carreira pública, com o objetivo de elaborar “uma espécie de compêndio”
sobre propostas e soluções para a coesão territorial e social, que cabe
aos decisores políticos analisar.