Falta inspecionar apenas uma prisão em auditoria à segurança
14 de nov. de 2024, 17:50
— Lusa/AO Online
Na
audição parlamentar sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2025,
Rita Alarcão Júdice, disse contar ter “no prazo estipulado, talvez até
um pouco antes”, o relatório sobre segurança nos 49 estabelecimentos
prisionais do país, encomendado aos serviços do Ministério da Justiça na
sequência da fuga de cinco presos da cadeia de Vale de Judeus.A
ministra adiantou ainda que até ao final do ano será divulgado um plano
estratégico de ação para os meios de resolução alternativa de litígios
(RAL), uma reforma dos meios de mediação alternativos aos tribunais para
os quais o Governo alocou 1,7 milhões de euros, um valor que a ministra
considerou “indicado e o suficiente”.Rita
Alarcão Júdice respondia à deputada socialista Cláudia Santos, que na
sua intervenção acusou a governante de em sete meses de Governo não ter
para apresentar “nada mais do que uma agenda muito genérica e um grupo
de trabalho” sobre o combate à corrupção, que a ministra e o Governo
assumiram como bandeira e prioridade, tendo a ministra respondido com o
elencar de uma longa lista de medidas já tomadas ou a tomar e a deputada
apontado a ausência de impacto orçamental dessas medidas.Sobre
a revisão da tabela de honorários dos atos dos advogados oficiosos, em
negociação com a Ordem dos Advogados, a ministra recusou apresentar
detalhes por ser um processo em curso, remetendo para quando estiver
concluída a revisão a sua apresentação ao parlamento, mas a secretária
de Estado Adjunta e da Justiça, Maria Clara Figueiredo, acabaria por
referir que a proposta em cima da mesa contempla, por exemplo, um
aumento do valor da unidade de referência para 28 euros, contra os
atuais 26,73 euros.A ministra da Justiça
reiterou ainda a revisão do estatuto dos funcionários judiciais até ao
final do ano, prevendo reuniões em dezembro com os sindicatos para
negociação, referindo que a tutela não está focada apenas na revisão
salarial da carreira, mas também em prepará-la para o futuro e em
garantir a sua utilidade para os tribunais.Rita
Alarcão Júdice manifestou ainda a sua preocupação com um eventual
atraso na aprovação das alterações à lei que altera a estrutura e
funcionamento do Centro de Estudos Judiciários (CEJ), assim como as
condições de ingresso na magistratura e formação de magistrados e apelou
para que o projeto de lei possa ser discutido e votado “com urgência”
pelos deputados, para que possa ser aprovado antes do início do ano,
para quando está prevista a abertura de concurso para mais um curso de
magistrados, que terá a partir de setembro um polo de formação do CEJ em
Vila do Conde, com 60 vagas, mas ainda a funcionar em instalações
provisórias.Avançou ainda que a tramitação
eletrónica de processos entra em vigor a 03 de dezembro, tendo sofrido
atrasos devido ao ataque informático de que foi alvo a Agência para a
Modernização Administrativa (AMA). Sublinhou que a tramitação eletrónica
de processos entrará em vigor de forma faseada.Em
resposta ao PSD, Rita Alarcão Júdice referiu ainda relativamente a
edifícios da Justiça que o ministério não pretende “manter o que não
faça sentido à Justiça manter” e que o caminho de crescente utilização
de edifícios próprios em detrimento de instalações arrendadas é um
caminho já a ser feito pela tutela.A
ministra da Justiça foi ainda confrontada pelo deputado e líder do
Chega, André Ventura, sobre o caso da fuga de um recluso à guarda da PSP
à porta do tribunal da Relação de Lisboa quando a polícia o encaminhava
para ser ouvido.André Ventura apontou que
o homem estrangeiro tinha um mandado de captura internacional e uma
autorização de residência em Portugal obtida posteriormente à emissão
desse mandado. Após a ministra ter corrigido que o mandado de detenção
era europeu e não internacional e ter rejeitado responsabilidades na
questão da autorização de residência por não ser da sua alçada, André
Ventura insistiu na necessidade de esclarecimentos, sublinhando que a
ministra tinha a tarde toda para os obter junto do Governo, numa
discussão que subiu de tom e chegou à bancada do PSD, em defesa da
ministra.A resposta sobre a situação do
recluso entretanto hoje recapturado pela GNR acabaria por surgir mais
tarde na audição, pela voz do deputado do CDS-PP João Almeida, que
esclareceu que o cidadão argelino tem autorização de residência em
Portugal desde 2022 e um mandado de captura europeu emitido em novembro
de 2023, desmentindo as acusações de atribuição de autorização de
residência a um criminoso feitas pelo Chega.No
entanto, apontou um problema revelado pelo caso com a renovação
automática das autorizações de residência por via digital, questionando a
ministra sobre a disponibilidade para rever uma “eventual
vulnerabilidade” do Estado nesta matéria, obtendo um “sim” como
resposta.