Falta de professores alastrou a escolas de todo o país
Hoje 12:27
— Lusa/AO Online
Este é o balanço do primeiro
período de aulas feito pela Missão Escola Pública com base num
inquérito a diretores de 222 escolas e agrupamentos (27% do total
nacional) de “diferentes dimensões e contextos organizacionais, havendo
agrupamentos com menos de 500 alunos e outros com mais de 2.000, assim
como uns com menos de 50 professores e outros com mais de 200.Os
resultados mostram que 70% dos diretores registaram horários sem
professor atribuído por mais de uma semana e 41% não tiveram professor
atribuído durante mais de um mês. Sendo que um em cada três diretores
(34%) reportou ter tido pelo menos um horário vazio durante todo o
primeiro período de aulas.O problema
continua a afetar mais as escolas do sul do país, mas “já não se
restringe a estas regiões e encontra-se em franca disseminação
territorial”, refere o inquérito divulgado pelo movimento de
professores.No centro do país, 36% dos
agrupamentos tiveram de lidar com esta carência, o que é apenas
ligeiramente abaixo dos dados reportados por diretores da zona de Lisboa
(40,6%). No Algarve, metade dos
responsáveis escolares queixaram-se da dificuldade em encontrar
docentes, enquanto no Alentejo o problema foi apontado por 28,6%.No Norte, 22,1% dos agrupamentos disseram ter tido disciplinas sem professor durante todo o período.Os
dados confirmam que "deixou de ser um fenómeno circunscrito a
determinados territórios e passou a afetar, em graus distintos, todas as
regiões do país”, refere o documento.Já
esta semana, Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de
Dirigentes Escolares (ANDE), tinha alertado para o alastrar do fenómeno.A
maior dificuldade relatada é encontrar professores de 1.º ciclo (31%),
seguindo-se os de Educação Especial (25%), Português (22%), Informática
(20%), Inglês (11%), Matemática (10%), Francês (8%), História (7%) e
Geografia (7%).O movimento Missão Escola
Pública quis também saber quantos alunos chegaram ao final do 1.º
período sem professor atribuído e o inquérito mostrou que 32% dos
agrupamentos tiveram pelo menos uma turma com falta de pelo menos um
docente.O Ministério da Educação tem
alertado para o facto de não existir uma relação direta entre horários
sem professores atribuídos e alunos sem aulas, alegando que os diretores
têm mecanismos para que os alunos não sejam prejudicados, tais como
pedir que façam horas extraordinárias.A
maioria dos diretores (62,2%) optou por essa medida, atribuindo horas
extraordinárias aos professores, sendo também prática comum (50,5%)
optar pela reorganização ou completamento de horários.A
redução das medidas de promoção do sucesso, como os apoios,
coadjuvações ou desdobramentos, foram também soluções encontradas por
24,8% dos diretores.Para a Missão Escola
Segura, a opção pelas horas extraordinárias "poderá ter consequências a
médio e longo prazo, pois contribui para o desgaste dos docentes”, um
alerta que também tem sido feito por sindicatos.No
inquérito, 82% dos agrupamentos têm pelo menos um professor a trabalhar
mais horas, havendo quatro agrupamentos em que há mais de 50 docentes a
fazer horas extraordinárias.No caso dos
alunos do 1.º ciclo, a situação revela-se ainda mais complicada, uma vez
que muitas das soluções encontradas passaram por distribuir os alunos
por outras turmas e recorrer a técnicos especializados para ensinar as
crianças.“Sendo particularmente
preocupante o recurso a técnicos, pois estes não têm habilitação para
assegurar a avaliação e transição dos alunos, podendo estar em causa a
não progressão dos alunos para o próximo nível de escolaridade”, alerta o
movimento, lembrando que distribuir alunos por outros níveis de ensino
também foi apontado por especialistas como “pedagogicamente prejudicial
ao processo de aprendizagem".