Falta de pessoal leva sindicato a convocar greve na AIMA até final do ano
12 de ago. de 2024, 11:18
— Lusa/AO Online
“O
que nos levou a tomar esta decisão foram os problemas que estão a
acontecer na AIMA desde a sua entrada em funcionamento, que estão muito
ligados à falta de pessoal”, disse hoje à Lusa Artur Cerqueira,
dirigente da FNSTFPS, salientando que a greve irá durar até final do
ano.“Há uma falta pessoal muito grande” e a
nova estrutura de missão para a migração, anunciada em julho pelo
governo para resolver os processos pendentes, está a “fazer contratações
sem transparência”, mas “continua por resolver a falta de recursos na
AIMA”, uma “promessa há muito adiada”, explicou.A
FNSTFPS reclama também a regularização da situação contratual dos
mediadores socioculturais, contratados por ONG e IPSS e em serviço
destacado na AIMA. “Exigimos a integração
de todos os mediadores que estão a fazer um trabalho permanente”, porque
a atual situação “configura uma situação de trabalho contratado
ilegal”, afirmou Artur Cerqueira. Os
trabalhadores da AIMA estão a “ser pressionados para fazerem horas
extraordinárias” e “um funcionário público não pode recusar fazer
trabalho extra”, salientou o dirigente sindical. Por isso é que o pré-aviso de greve tem um prazo entre 22 de agosto e 31 de dezembro, explicou.“A partir de agora, cada trabalhador pode decidir se aceita ou não fazer essas horas extraordinárias”, explicou.No
caderno reivindicativo da FNSTFPS que sustenta o pré-aviso, são
referidos vários problemas na AIMA, entre os quais a ausência de um
regulamento interno, a falta de comunicação interna, equipas
“subdimensionadas, que se traduz numa sobrecarga de trabalho e níveis
elevados de ‘stress’ e ansiedade”.De
acordo com o documento, a que a Lusa teve acesso, muitos dos
funcionários “já ultrapassaram as 150 horas de trabalho extraordinário”
em 2024 (o limite legal para a função pública), mas “continuam a fazer
horas extraordinárias sem que lhes sejam pagas”.“A
Federação considera que a situação a que chegámos resulta do conjunto
de políticas erradas de vários governos”, mas “o importante e urgente é
que o governo assuma as suas responsabilidades e que devem ser tomadas
todas as medidas, com caráter de urgência”, pondo “fim ao atropelo aos
direitos dos trabalhadores e dos cidadãos”, refere ainda a estrutura
sindical.No final de julho, o Governo
nomeou Pedro Portugal Gaspar para a direção da AIMA e transferiu o então
presidente da organização, Goes Pinheiro, para a nova estrutura de
missão para as migrações.A nova Estrutura
de Missão para a Recuperação de Processos Pendentes de imigrantes,
prevista no Plano de Ação para as Migrações terá como missão “resolver o
histórico dos mais de 400 mil processos de regularização pendentes de
análise, acumulados ao longo dos últimos anos”, referiu então o
executivo.A estrutura contará com até 100 especialistas, 150 assistentes técnicos e 50 assistentes operacionais.Quanto
à AIMA, o governo prometeu uma “mudança de orientação”, procurando
“implementar as medidas preconizadas no Plano de Ação para as Migrações
apresentado no início de junho”.