Falha dos serviços impediu alerta político sobre aviões dos EUA para Israel
Médio Oriente
3 de out. de 2025, 15:20
— Lusa/AO Online
Esta foi a tese
central defendida por António Leitão Amaro na conferência de imprensa no
final da reunião do Conselho de Ministros, depois de interrogado sobre
um caso que envolveu os ministérios da Defesa e dos Negócios
Estrangeiros - e em que o ministério tutelado por Paulo Rangel já
reconheceu falhas.“O que ocorreu foi uma
falha na avaliação dos serviços do caso concreto relativamente a
comunicação feita pelos Estados Unidos de que tinham aviões seus a
passar, a estacionar e a parar na Base das Lajes”, sustentou o ministro
da Presidência.António Leitão Amaro, neste
contexto, assinalou que se tratou de uma comunicação “ao abrigo de um
mecanismo de comunicação prévia, com um prazo muito curto, e de uma
apreciação ao nível administrativo por parte dos serviços, relativamente
ao qual já foi registada uma falha”.Uma falha que, de acordo com este membro do executivo, não permitiu que houvesse um alerta para um nível político.“Efetivamente,
houve uma falha que ocorreu a nível dos serviços - está reconhecido – e
que não deu lugar a uma decisão de oposição. É nessa parte que está a
falha do alerta para um nível político, para um eventual tratamento
diferente, que não ocorreu, de uma situação que foi comunicada como uma
passagem e uma utilização de equipamentos militares americanos”,
acentuou.A seguir, o membro do executivo
procurou salientar a posição diplomática de Portugal a favor do fim do
conflito que envolve Israel e pelo reconhecimento do Estado
Palestiniano.“O Governo português tem uma
posição conhecida relativamente ao conflito do Médio Oriente, que tem
tido desenvolvimentos muito relevantes num contexto internacional em que
Portugal, com outros países seus aliados de grande proximidade - como o
Reino Unido e a França -, numa data recente, fizeram o reconhecimento
formal do Estado da Palestina, numa lógica de respeito ou de
consideração da governação pela Autoridade Palestina”.“Essa
é uma decisão marcante que vem na linha de uma posição antiga da
política externa portuguesa, mas, neste caso, é uma decisão histórica na
medida em que a ideia mais antiga de dois Estados se materializa nesse
reconhecimento formal”, completou.António
Leitão Amaro considerou ainda que o Governo português “tem tido também
uma posição muito clara, com este primeiro-ministro e com este ministro
de Negócios Estrangeiros, sobre a proibição e limitações à venda de
armas”.“Portugal tem participado neste esforço internacional pela paz e de contribuição, para encontrar uma solução”, acrescentou.