Fake News: UE quer regras para digital em vez de acatar as impostas por Silicon Valley
10 de fev. de 2021, 18:21
— Lusa/AO online
“Se
não formos ambiciosos para nos tornarmos nos legisladores, vamos ser os
legislados, ou seja, vamos ter de acatar as regras criadas em Silicon
Valley e que serão impostas na UE”, declarou a vice-presidente do
executivo comunitário Věra Jourová, com a pasta dos Valores e
Transparência.Intervindo num debate no
Parlamento Europeu sobre equilíbrio entre escrutínio democrático e
direitos fundamentais nas redes sociais, a responsável vincou que
“chegou a altura de pôr as mãos à obra, isto com caráter de urgência”.Věra
Jourová apelou, assim, à assembleia europeia e ao Conselho para “adotar
o mais rapidamente possível” a legislação proposta pelo executivo
comunitário em dezembro passado.Em
discussão entre os colegisladores europeus estão as novas leis dos
Serviços Digitais e dos Mercados Digitais, que visam a criação de novas
obrigações para as plataformas para assegurar que o que é crime
‘offline’ também o seja no ‘online’, como incitamento ao ódio. Estas
novas leis preveem multas pesadas para as tecnológicas que não o
cumprirem.Falando perante os
eurodeputados, Věra Jourová apontou também a “impaciência de alguns
Estados-membros da UE que querem avançar de forma unilateral e ter as
suas próprias regras para a internet”.Em
vez disso, “queremos ter uma situação inteligente, pan-europeia, sem
fragmentação ao nível dos Estados-membros”, argumentou a responsável.Para
responsabilizar e evitar que as plataformas digitais tenham poder, Věra
Jourová defendeu uma “solução que seja neutra do ponto de vista
ideológico” e que “proteja liberdade de expressão como primeira
prioridade”.Já recordando os motins de
janeiro passado nos Estados Unidos – que foram organizados através das
redes sociais e motivaram a suspensão do antigo Presidente, Donald
Trump, do Facebook e Twitter – a vice-presidente notou que “o que
acontece ‘online’ tem uma grande influência na vida real”.“Temos
de tirar lições do que aconteceu em janeiro [porque] as redes sociais
eram os meios de difusão da mensagem, na qual se estava a incitar à
violência”, apontou Věra Jourová.A responsável pediu, assim, mais “responsabilização e noção das consequências” às tecnológicas.No
seu discurso, defendeu ainda mais apoios financeiros à comunicação
social da UE para evitar que fiquem com “ónus financeiro” que afete a
sua atividade.O debate ocorreu no âmbito
da sessão plenária do Parlamento Europeu, em Bruxelas. A presidência
portuguesa da UE estava representada pela secretária de Estado dos
Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias.