Faculdade de medicina do Porto reitera que primeiros casos de Candida auris em Portugal foram detetados em 2023
Hoje 12:31
— Lusa/AO Online
“A
FMUP comunicou os resultados de um novo estudo, publicado no Journal of
Fungi que reportou e analisou os primeiros casos confirmados de infeção
na corrente sanguínea (candidemia) e colonização por 'Candida auris' em
Portugal. Estes casos terão sido, como resulta do artigo publicado
naquela prestigiada revista científica, os primeiros casos nacionais
endémicos, ou seja, registados em portugueses, sem associação a viagens,
migrações ou transferências de hospitais de outros países”, refere a
faculdade em comunicado.Este
esclarecimento surge depois de o Instituto Nacional de
Saúde Ricardo Jorge (Insa) ter anunciado que foram confirmados casos de
infeção pelo fungo 'Candida auris' entre 2022 e 2025 em amostras
clínicas de hospitais públicos do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo.O
comunicado do Insa surgiu na sequência da divulgação na terça-feira de
um estudo liderado pela FMUP que concluiu ter identificado os primeiros
casos de 'Candida auris' em Portugal em 2023.Foram
classificados oito casos identificados em 2023 num hospital da região
Norte, refere o resumo do estudo a que a Lusa teve acesso, cujas
conclusões reforçam a importância da vigilância hospitalar, sendo
salvaguardado que “nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva
reportados esteve exclusivamente associada à infeção, mas sim a
comorbilidades severas dos doentes”.Segundo
o Insa, o primeiro caso de infeção por 'Candida auris' (C. auris) no
país foi identificado em 2022 pelo Laboratório Nacional de Referência
(LNR) de Infeções Parasitárias e Fúngicas do seu departamento de Doenças
Infecciosas.“Entre 2022 e 2025, o LNR
confirmou anualmente casos de infeção por 'C. auris' em amostras
clínicas provenientes de diversos hospitais públicos das Regiões de
Saúde Norte e Lisboa e Vale do Tejo”, referiu o Insa, sem quantificar o
número de infeções.A FMUP,
reiterando a informação partilhada na terça-feira, refere que o caso
referido pelo Insa “como o primeiro a ter sido reportado, em 2022,
refere-se a um caso de 'C. auris' num doente transferido de Angola para
um hospital português, como pode ler-se no artigo científico respetivo”.“A
FMUP reafirma o seu compromisso com a promoção da literacia da saúde
junto da sociedade portuguesa, tendo presente o superior interesse
público, bem como a disseminação rigorosa da ciência que produz, em
colaboração com todas as instituições que prosseguem esse mesmo
desígnio”, conclui a faculdade.Em setembro
do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças
(ECDC) alertou para a rápida propagação nos hospitais deste fungo
resistente a medicamentos e pediu medidas para travar a sua
disseminação.O 'C. auris' foi identificado pela primeira vez em 2009 no Japão.