Extração de recursos naturais triplicou em cinco décadas
1 de mar. de 2024, 15:14
— Lusa
O alerta faz parte de um
relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA),
“Perspetivas dos Recursos Mundiais 2024” (GRO, na sigla original), feito
por um grupo de cientistas especializados em recursos naturais.O
relatório foi apresentado hoje em Nairobi, no último dia da 6.ª
Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente (UNEA-6), que começou na
segunda-feira.A edição deste ano do GRO,
intitulada "Inverter a tendência: caminhos para um planeta habitável à
medida que aumenta o uso de recursos”, pretende demonstrar que é
possível e rentável dissociar o crescimento económico dos impactos
ambientais e da utilização dos recursos.A
extração de recursos naturais triplicou nas últimas cinco décadas, o que
está relacionado com a construção maciça de infraestruturas em muitas
partes do mundo e com elevados níveis de consumo de materiais,
especialmente nos países de elevado rendimento.O
relatório conclui que o aumento da utilização de recursos desde 1970,
de 30 para 106 mil milhões de toneladas, tem impactos ambientais
dramáticos. Globalmente, a extração e
transformação de recursos é responsável por mais de 60% das emissões de
gases com efeito de estufa e 40% dos impactos da poluição atmosférica
relacionados com a saúde.A extração e a
transformação de biomassa (por exemplo, culturas agrícolas e
silvicultura) são responsáveis por 90% da perda de biodiversidade e do
stresse hídrico relacionados com a terra, bem como por uma parte
substancial das emissões de gases com efeito de estufa.Do
mesmo modo, a extração e a transformação de combustíveis fósseis,
metais e minerais não metálicos (areia, cascalho, argila) são
responsáveis, em conjunto, por 35% das emissões globais.Prevê-se
que a extração de materiais aumente 60% até 2060 e "poderá fazer
fracassar os esforços para alcançar não só os objetivos globais em
matéria de clima, biodiversidade e poluição, mas também a prosperidade
económica e o bem-estar humano".No
documento o PNUMA apelou a mudanças radicais nas políticas para que a
humanidade viva dentro das suas possibilidades, e se reduza em um terço o
crescimento projetado da utilização dos recursos, ao mesmo tempo que se
faz crescer a economia, melhora o bem-estar e se minimiza os impactos
ambientais."A tripla crise planetária das
alterações climáticas, da perda da natureza e da poluição tem as suas
raízes numa crise de consumo e produção insustentáveis. Temos de
trabalhar com a natureza, em vez de nos limitarmos a explorá-la",
afirmou a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen, em comunicado.Inger
Andersen sublinhou a importância de se "reduzir a intensidade de
recursos dos sistemas de mobilidade, habitação, alimentação e energia".O
relatório também sublinha as desigualdades entre os países de baixo
rendimento, que geram 10 vezes menos impacto climático do que os países
de rendimento médio-alto, que mais do que duplicaram a utilização de
recursos nos últimos 50 anos.A UNEA-6, o
principal órgão de decisão ambiental do mundo, reuniu esta semana mais
de 7.000 representantes de governos, da sociedade civil e do setor
privado, segundo o PNUMA, com sede em Nairobi.