Exposição permanente do Museu Soares do Reis encerrada em 2019 reabre quinta-feira
12 de abr. de 2023, 17:58
— Lusa
“Quando
cheguei ao museu em abril de 2021, já estava todo desmontado, o que me
permitiu de uma forma mais programática e integral repensar a exposição
de longa duração do museu. Foi um processo longo, até muito longo, mas
que resulta de reflexões internas para encontrar narrativas para uma
exposição que nós não queríamos que fosse apenas uma sucessão de objetos
de arte”, afirmou o diretor do museu, António Ponte, em declarações aos
jornalistas na véspera da sua reabertura.Em
agosto de 2019, o Soares dos Reis anunciou que iria encerrar
parcialmente, devido ao início da primeira de duas fases das obras de
recuperação e manutenção, com uma duração inicialmente prevista de seis
meses.Estes trabalhos de recuperação do
primeiro museu público de arte do país foram negociados pela anterior
diretora da instituição, Maria João Vasconcelos, que em junho de 2019
adiantava que o projeto teria uma dotação na ordem de um milhão de
euros, metade dos quais para a conceção da exposição permanente.Com
as obras já concluídas quando assumiu a direção, António Ponte
reconhece hoje, confrontado pelos jornalistas, que faltou uma explicação
à cidade, mas sublinha que a sua prioridade foi sempre a de devolver
aquele espaço cultural à cidade.“Admitimos
que possa ter existido uma falha de comunicação nessa explicação à
cidade. Mas repare, eu entrei a 01 de abril de 2021 e abrimos toda a ala
de exposição temporária a 15 de maio. Entendemos essa urgência de
restituir o espaço às pessoas. De abril de 2021 até hoje nós tivemos
sempre exposições temporárias”, indicou.Mostrando-se
satisfeito com a reabertura integral do museu, António Ponte lembra
ainda que durante o período de dois anos que levou a construção desta
nova narrativa, o mundo, saído de uma pandemia, viu-se confrontado com
uma guerra com impacto direto na disponibilização de materiais
necessários à concretização desta nova narrativa, a que se soma os
tempos dos concursos públicos e da própria escolha das peças, num
conjunto de mais de 18 mil objetos. “Nós trabalhamos muito nesse período”, sublinhou, reconhecendo que “isso não justifica tudo”.Antecipando
o que os visitantes poderão encontrar a partir de quinta-feira, o
dirigente explica que a exposição permanente apresenta um novo olhar
sobre as suas coleções, valorizando não apenas o património cultural,
como a história da instituição com 190 anos.“O
que nós estamos hoje a disponibilizar aos nossos visitantes é uma
exposição totalmente renovada, vários níveis de narrativa, de relações
de objetos, em que nós cruzamos as várias expressões artísticas - as
belas-artes com as artes decorativas - permitindo que os públicos possam
ter as suas leituras”, defendeu.A
intervenção permitiu renovar totalmente 27 salas, com uma área total de
1.900 metros quadrados, onde estarão expostas 1.133 peças, 230 das quais
alvo de restauro. Entre as novidades,
António Ponte realçou a disponibilização ao público de peças, algumas do
século XIII, que não eram vistas há cerca de trinta anos, e que agora
estão expostas no segundo piso do edifício do Museu Soares do Reis, como
a escultura de Cristo crucificado.Destaque
ainda para as obras dos pintores Vieira Portuense e Domingos Sequeira, e
de um busto do poeta Luís Vaz de Camões e álbum de viagem e anotações,
de António Soares dos Reis.Questionado
sobre a intenção de o museu se candidatar a financiamento para a
requalificação do espaço exterior, o seu diretor indicou que tal será
concretizado através do Plano de Recuperação e Resiliência e do novo
quadro de apoio comunitário. Primeiro
museu público de arte do país, o Museu Nacional de Soares dos Reis foi
fundado como Museu Portuense de Pinturas e Estampas, em 1833, tendo
adquirido o estatuto de nacional em 1932.