Exposição no Centro de Artes nos Açores lança olhar coletivo sobre momentos de partilha
7 de dez. de 2021, 18:10
— Lusa/AO Online
“A exposição faz de algum modo esse caminho,
essa narrativa desses momentos e das saudades que temos deles, mas com
essa ideia positiva de pensarmos no futuro e de voltarmos a esses
momentos, muito brevemente. É um olhar coletivo”, explicou o
diretor do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas dos Açores, João
Mourão, em declarações à agência Lusa."Chorinho
Feliz" é o título da exposição que o Arquipélago – Centro de Artes
Contemporâneas, na cidade da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, nos
Açores, inaugura na quarta-feira, pelas 16h00.A
mostra reúne obras de Amalia Pica, Ana Vieira, Barrão, Catarina
Botelho, Catarina Branco, Christian Holstad, Grafeno, Joachim Schmid,
João Ferreira, João Pedro Vale, Rubén Monfort, Rui Moreira e Sofia de
Medeiros."São obras da coleção do
Arquipélago, de artistas locais, do continente e de alguns artistas
internacionais. A ideia foi dar a conhecer essa diversidade da própria
coleção e de pensarmos que a arte contemporânea é também feita desta
multiplicidade. Temos fotografia, pintura, escultura, desenho e
instalações", adiantou o diretor Arquipélago.João
Mourão disse à Lusa que algumas das peças fizeram parte de "exposições
individuais ou coletivas" destes artistas no Arquipélago, outras "foram
adquiridas"."São peças que fazem parte
dessa narrativa da coleção, uma narrativa que representa o que se está a
fazer a nível de arte contemporânea, muito centrada na Região, nos
Açores, no continente e nestes países que fazem fronteira com o
Atlântico e é essa situação geográfica que estamos também a olhar",
realçou. As obras destes artistas e as relações que se podem estabelecer entre elas remetem "para momentos de convívio e de festa".
Em tempo de pandemia de covid-19, o Centro de Artes Contemporâneas
reflete ser "importante retomar essas memórias da partilha" e "antecipar
novos encontros". "Queremos que esta
exposição seja um olhar às tradições, festas populares, romarias, bailes
e mesas postas, mas queremos também que seja um momento de esperança
para que rapidamente possamos voltar todas e todos a estes convívios",
sublinha o Arquipélago. Na exposição,
"cruzam-se obras de artistas locais, ligadas a tradições tipicamente
açorianas, com artistas do continente e internacionais, que trazem
também olhares sobre outras festas e outros modos de celebrar", destaca.
Esta ideia de um "chorinho feliz", que dá nome à exposição, "não é mais
que uma vontade, uma ideia de que sentimos todos falta de chorar uma
lágrima de alegria que vem necessariamente aliada com amigos, festa,
devoção e tradição", frisa ainda o Centro de Artes.
"A ideia de estarmos todos ansiosos de podermos voltar a estes momentos
coletivos e de podermos estar à volta de uma mesa, a partilhar uma
refeição, e de podermos estar todos juntos numa festa, e daí o nome da
exposição ser quase essa imagem daquela lágrima que muitas vezes nos cai
quando estamos contentes, nestes momentos de reunião. E com a
aproximação desta época natalícia, pensamos também esta questão de
estarmos juntos e esta ideia do coletivo", acrescentou o diretor do
Arquipélago.O projeto expositivo é
assinado por João Mourão, Beatriz Brum, Diogo Aguiar e Sofia Carolina
Botelho, e poderá ser visitado no Arquipélago – Centro de Artes
Contemporâneas até 17 de abril de 2022.