Exposição dá rosto à diversidade das famílias LGBTQIA+
20 de jul. de 2026, 16:11
— Daniela Arruda
A exposição “FAMÍLIA - retratos de famílias LGBT em Portugal” está
patente na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada até ao
início de agosto. Quem a visita encontra um conjunto de fotografias
documentais que dão rosto a uma realidade que continua pouco
representada: as famílias LGBTQIA+ portuguesas. A iniciativa faz
parte da programação do Azores Pride 2026 e quer dar espaço à reflexão
sobre diversidade familiar, representatividade e pertença. Da autoria da
fotógrafa Mag Rodrigues, o projeto nasceu entre 2022 e 2023 e reúne
retratos de 17 famílias de vários pontos do país. Todas as imagens foram
registadas na intimidade das suas casas, uma escolha que, segundo a
autora, mostra não só quem são estas famílias, mas também o ambiente
onde vivem e a normalidade do seu dia a dia.“O objetivo era dar
visibilidade a uma realidade que existe em grande número, mas que
continua pouco representada”, explica Mag Rodrigues. Para encontrar as
famílias, lançou uma open call nas redes sociais e contou ainda com a
colaboração do jornal Público. A partir daí, bastou esperar que as
famílias interessadas entrassem em contacto.A fotógrafa quis fugir à
fotografia de estúdio para construir um registo mais documental:
“Mostrar as famílias nas suas casas reforça a ideia de que são famílias
como quaisquer outras”, afirma. E há muitas formas de construir uma
família. As 17 retratadas na exposição refletem essa diversidade: “Ou
seja, além das figuras adultas serem todas da comunidade LGBT, a forma
como estas crianças chegaram ao mundo também foi de formas diferentes”,
explica, e acrescenta “além da adoção, temos também a gestação de
substituição e a procriação medicamente assistida”. Mag Rodrigues
sublinha que “já há muitas famílias, no caso de famílias em que são duas
mulheres, ou até uma mulher solteira, que recorrem à procriação
medicamente assistida. É cada vez mais comum”.E também há as
famílias reconstituídas, em que um ou uma dos progenitores ou
progenitoras iniciou, posteriormente, uma relação com uma pessoa do
mesmo sexo. Para Mag Rodrigues, esta diversidade ajuda a
desconstruir ideias preconcebidas sobre a forma como estas famílias se
constituem. Afinal, nem todas chegam à parentalidade e maternidade
através da adoção, como ainda é comum pensar. Embora o projeto não
inclua famílias dos Açores, por motivos de incompatibilidade de agenda
durante o período em que foi produzido, a fotógrafa mantém uma ligação
próxima ao arquipélago, sobretudo à ilha de São Miguel, onde já fez
outros trabalhos documentais. Na Biblioteca Pública e Arquivo
Regional estão expostas cerca de seis fotografias, uma seleção feita
pela comissão do Azores Pride e condicionada pelos custos elevados de
impressão das imagens, apesar de o projeto completo reunir retratos de
17 famílias.A iniciativa vai culminar com uma conversa aberta ao
público, prevista para o início de agosto, no mesmo espaço, com a
presença da própria Mag Rodrigues. O encontro quer prolongar a reflexão
suscitada pelas fotografias e promover o diálogo sobre a diversidade e
representação das estruturas familiares.