Experiência e apoios federativos promovem “salto” de Jorge Vieira para o COP
28 de nov. de 2024, 10:15
— João Pedro Simões/Lusa/AO Online
“Gostei da metáfora do
salto, porque é uma expressão do atletismo e, para alguém do atletismo, é
um salto arriscado. É um salto que representa um desafio muito grande,
até pelos vários candidatos que vemos anunciados, eu que vejo aí apenas
um desafio fundamentalmente desportivo, mas haverá outro tipo de
desafios que estão em jogo”, afirmou Jorge Vieira.Depois
de cumprir o seu terceiro e último mandato à frente da FPA, Jorge
Vieira, aos 69 anos, propõe candidatar-se à presidência do COP, numa
‘corrida’ em que estão na ‘câmara de chamada’ o atual secretário-geral
do organismo, José Manuel Araújo, e os antigos secretários de Estado do
Desporto Laurentino Dias e Alexandre Mestre.“A
mim, pessoalmente, o que me leva a este desafio é, sobretudo, uma vida
dedicada ao desporto, ao atletismo e também a dedicação e experiência
obtida no atletismo olímpico. Fui responsável, como Diretor Técnico
Nacional, de várias preparações olímpicas, acompanhei muitas
participações e muitas conquistas de grandes classificações,
nomeadamente de medalhas”, recordou.Enquanto
fazia o balanço dos 12 anos à frente do atletismo nacional, Jorge
Vieira admitiu corresponder ao incitamento de alguns presidentes
federativos.“Depois de todo este
envolvimento, cheguei à conclusão que, com a ajuda de outros colegas,
dirigentes de federações, que me têm vindo também alertando para a
necessidade, reunindo estas duas condições: a minha própria experiência e
o apelo de algumas federações para que este movimento fosse iniciado,
tomei esta decisão”, justificou.No
entanto, foi “uma decisão difícil”, para enfrentar “um desafio de vida”,
por ser o próximo e pela responsabilidade imposta pelo antecessor.“Não
quero tirar valor de maneira nenhuma a este desafio que foi ser
presidente da FPA, mas o desafio de ser presidente do Comité Olímpico de
Portugal é um desafio ainda maior. Sobretudo, porque vem a seguir ao
outro e a suceder a alguém como o professor José Manuel Constantino”,
reconheceu.Por ser inimitável, quer prosseguir “sobre as pisadas dele [Constantino], sobre o caminho que traçou, [para] conseguir evoluir”.“Naturalmente,
é um desafio de vida e vamos ver se se concretiza. Dependerá muito do
apoio das federações e, também, naturalmente, da qualidade do nosso
projeto”, admitiu.Além da melhor
preparação da equipa olímpica, Jorge Vieira pretende fazer vingar os
valores do olimpismo em termos sociais e culturais, além da sua função
desportiva, propondo-se a liderar o processo de definição e estimulação
das políticas desportivas por parte dos governos.“O
desporto português vive de financiamento, público e privado, mas o
financiamento público está num ponto de subfinanciamento crónico […] e o
COP tem de ter, e é uma grande responsabilidade, um papel extremamente
interveniente, que nunca cale a voz àquilo que são as injustiças perante
este setor”, sublinhou.Sem se referir diretamente a nenhum dos outros três anunciados candidatos, Jorge Vieira enalteceu a sua independência.“Naturalmente,
um dos maiores argumentos que eu tenho é a total independência. Além
das eventuais competências que reuni na vivência, na intervenção, na
reflexão, na intervenção em todas as Assembleias Gerais, da
Confederação, do COP e, sobretudo, do Comité Paralímpico, eu tenho
argumentos precisamente ao nível da total independência partidária”,
vincou.Daí, Jorge Vieira tem dificuldade em imaginar “um COP com orientações partidárias”.“É
algo que eu diria que vai contra aquilo que é precisamente a natureza
mais elementar do Olimpismo, [que] é não estar ligado a governos, não
depender dos governos, não depender de orientações partidárias […]. Não
falo dos outros, os outros falarão de si, mas aquilo que eu posso
assegurar claramente é que da minha parte terão essa abordagem que não
estará dependente nunca do Governo que estiver no país”, concluiu.As
eleições do organismo olímpico, liderado por Artur Lopes desde a morte
de José Manuel Constantino, em agosto último, realizam-se em março de
2025.