Experiência de Jessica Augusto e Sara Moreira no Mundial de meia-maratona
15 de out. de 2020, 12:13
— Lusa/AO Online
Um
tão longo hiato entre a anterior presença e esta faz com que qualquer
um dos seis lusos a competir seja estreante, mesmo as experientes
Jessica Augusto e Sara Moreira, atleta que festejará os seus 35 anos no
dia da corrida.Tal como Sara Moreira,
Jessica Augusto, quatro anos mais velha, também nunca correu os Mundiais
de meia-maratona, mas a nível europeu as duas têm amplo palmarés,
inclusivamente com medalhas conquistadas.O
ponto mais alto para as duas aconteceu há quatro anos, em Amesterdão,
com o título de Sara Moreira e o terceiro lugar de Jessica - medalhas
que juntam a uma recheada carreira em pista, corta-mato e maratona.Menos
cotado, decididamente, é o quarteto masculino, composto por Luís
Saraiva, Nuno Lopes, Rui Pinto e Samuel Barata, sendo que todos encaram
de forma realista que em Gdynia, mais uma vez, o domínio será de
quenianos e etíopes, com uma ou outra intromissão, sobretudo de outros
africanos.Aliás, só em uma edição Portugal
chegou ao pódio, justamente na edição de estreia, 1993 - Conceição
Ferreira ganhou e as portuguesas ficaram com o bronze coletivo.Desde
2004 que Portugal primava pela ausência, com as exceções de Anália
Rosa, 18.ª em 2009, e Dulce Félix, 13.ª em 2008, num claro
desinvestimento que passou muito pelo desinteresse dos melhores
fundistas.Agora, de forma surpreendente,
duas das melhores lusas entusiasmaram-se com a ideia de correr a este
nível. Inicialmente marcada para 27 de março, a pandemia de covid-19
'reagendou-a' para agora, determinando o 'sim' de Sara Moreira, em 'dia
de soprar as velas'."No início da época,
depois de um horrível ano de 2019, com duas lesões muito prolongadas,
esta competição não fazia parte dos meus planos, até pela data em que
estava marcada. Contudo, quando surgiu a notícia do seu adiamento e
quando foi divulgada a nova data, disse logo que tinha de competir nesta
prova", assumiu, em declarações publicadas na página oficial da
Federação Portuguesa de Atletismo."Entrei
em 2020 com muita esperança competitiva, até porque era a primeira vez
que se iniciava o ano sem que eu tivesse alcançado os mínimos olímpicos.
A minha opção é a maratona, mas as da primavera foram todas canceladas e
no outono a mesma situação. Perante as incertezas agarrei esta
oportunidade como um objetivo para lutar e trabalhar. Independentemente
do que possa suceder, esta é uma competição que pode ainda ser um ponto
alto de um ano em que fiz apenas provas de pista e que servirá de
preparação para a maratona", acrescentou.Face
ao adiamento dos Campeonatos Europeus de Paris2020, entrará ainda na
corrida como a campeã continental em título, uma situação inesperada.
Além do mais, "não era a distância em que iria competir nos Europeus de
Paris, principalmente porque em Tóquio queria competir na maratona e,
sendo a competição continental depois dos Jogos, de certeza que não
faria a meia maratona". explica. "Sinto
que irei correr um pouco às 'escuras', que fiz um bom trabalho, que o
nível físico está em alta, assim como o psicológico, que o treino correu
bem, pelo que agora espero que o resultado possa ser a prova do
trabalho efetuado", assegura Sara Moreira, que não aponta para nenhum
objetivo quantificado.A partida da corrida
feminina, em que já há uma desistência de última hora, a holandesa
Sifan Hassan, recordista mundial da hora, está marcada para as 11 horas
locais (09 horas nos Açores), seguindo-se depois a prova
feminina.