Exército envia pela primeira vez drones desenvolvidos em Portugal para missão NATO
Hoje 17:12
— Lusa/AO Online
"São
os primeiros protótipos com requisitos militares, definidos pelo
Exército português, construídos em Portugal, desenvolvidos com
engenharia e indústria portuguesa", disse à Lusa o chefe do
Estado-Maior do Exército (CEME), à margem da assinatura da adenda ao
protocolo entre o Exército e o município de Vila Nova da Barquinha, no
distrito de Santarém, para o Centro Interativo das Tropas Paraquedistas.Segundo
avançou o general Eduardo Mendes Ferrão, os sistemas aéreos não
tripulados "seguem para a Eslováquia ainda este mês", integrados na 4.ª
Força Nacional Destacada (4FND), que participa no Battlegroup
Multinacional da NATO liderado por Espanha, no âmbito das operações de
reforço do flanco leste da Aliança Atlântica.Os
drones resultam de um projeto de investigação e desenvolvimento
conduzido pelo Exército em parceria com a empresa portuguesa Beyond
Vision e serão operados por uma secção de sistemas aéreos não tripulados
(Mini-UAV) constituída por duas equipas, num total de quatro militares.Segundo
Mendes Ferrão, os equipamentos já foram experimentados em território
nacional e entram agora numa fase de validação operacional
multinacional."Já temos os primeiros
protótipos que fizeram a experimentação aqui em território nacional e
que serão agora projetados para a Eslováquia para fazerem a
experimentação em contexto operacional", declarou.Ao
todo seguirão dois sistemas de tipologias distintas, destinados a
reforçar capacidades de reconhecimento, vigilância, recolha de
informação e apoio à decisão da força portuguesa destacada naquele país."Há
várias coisas que nós vamos ver e testar no terreno, desde as táticas,
as técnicas, o seu emprego, e como é que nós vamos logisticamente
sustentar estes equipamentos num teatro de operações", explicou o
general.Os drones serão integrados numa
força que opera já com carros de combate Leopard 2A6 e viaturas
blindadas Pandur 8x8, permitindo testar a articulação entre plataformas
terrestres e sensores aéreos.O CEME considerou que a rapidez de adaptação tecnológica constitui atualmente um dos maiores desafios das forças armadas."O grande desafio que nós temos hoje é a velocidade de adaptação e de implementação de novas soluções", afirmou.Nesse
contexto, admitiu que o Exército está disposto a acelerar o
desenvolvimento de novas capacidades através da utilização operacional
de sistemas que ainda não concluíram totalmente o seu ciclo de maturação
tecnológica."Assumimos que os vamos fazer
evoluir com a nossa experimentação em contexto operacional", afirmou,
considerando que esta metodologia representa uma vantagem para o
Exército, para a indústria e para a academia envolvidas nos projetos.A
iniciativa integra uma estratégia mais ampla de modernização da Força
Terrestre, assente numa maior digitalização e na incorporação crescente
de sistemas autónomos e não tripulados."A
Força Terrestre, no seu desenho, vai ter que ter muito mais tecnologia,
muito maior digitalização e naturalmente vai ter que integrar muito mais
sistemas não tripulados", sustentou.Segundo
Eduardo Mendes Ferrão, o Exército deverá receber "muito em breve" o
primeiro protótipo de um sistema terrestre não tripulado desenvolvido e
fabricado em Portugal, destinado a uma fase de experimentação no Campo
Militar de Santa Margarida, no âmbito do projeto de robotização da
viatura blindada M113.Portugal mantém
atualmente cerca de 120 militares na Eslováquia integrados no
Battlegroup Multinacional da NATO, número que deverá aumentar para 155
na próxima rotação, no âmbito das medidas de reforço da presença da
Aliança Atlântica no flanco leste europeu após a invasão russa da
Ucrânia.