Exercício Milhafre25 testa capacidade de defesa militar das forças armadas
24 de out. de 2025, 09:57
— Arthur Melo
Os três ramos das Forças Armadas Portuguesas estacionadas na Região -
Exército, Força Aérea e Marinha Portuguesa - encerraram ontem, na baía
de Ponta Delgada, o Exercício Milhafre25 com um conjunto de manobras
militares com meios aéreos, navais e terrestres, promovido pelo Comando
Operacional dos Açores (COA). Depois de três dias a otimizar o
emprego dos meios militares e a exercitar o comando e controlo de uma
operação conjunta, abrangendo as fases de projeção, condução e retração
de forças militares empenhadas na defesa da Região Autónoma dos Açores,
as manobras militares ontem realizadas proporcionaram à população uma
visão integrada da capacidade de resposta e de defesa militar das Forças
Armadas.As manobras consistiram na intercetação de uma embarcação
marítima, na tomada de um ponto estratégico em terra por parte de uma
unidade militar aerotransportada e, finalmente, a neutralização de um
engenho explosivo. O exercício que decorreu na entrada do porto
comercial de Ponta Delgada e no Cais do Depósito POL NATO testou a
capacidade de defesa militar do COA. “Este exercício é de defesa
militar convencional”, começou por especificar o Chefe do
Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), o General José Nunes
da Fonseca, salientando de seguida que estes exercícios permitem
preparar, da melhor forma, as forças armadas para a sua missão de defesa
da nação: “Em todas as circunstâncias as Forças Armadas se prepararam
para intervir em caso de necessidade e tudo isso passa por formação, por
planeamento e por exercícios. No exercício ficamos conscientes daquilo
que correu bem e daquilo que tem de correr melhor nas circunstâncias
reais. Esperamos que nunca aconteça, mas é exatamente para esse efeito
que tentamos ver o que é que há que fazer em todas as circunstâncias
para cumprirmos melhor a nossa missão”, afirmou o militar em declarações
aos jornalistas após a realização das manobras. O momento foi
particularmente vivido por alguns alunos de escolas de São Miguel que
assistiram ao desenrolar das manobras a partir do cais do Terminal das
Portas do Mar, em particular a intervenção do helicóptero da Força Aérea
Portuguesa, o EH-101 Merlin, responsável pela introdução - e posterior
retração - de uma equipa de militares no Cais do Depósito POL NATO. As
manobras visaram neutralizar uma ameaça à soberania nacional, o cenário
“construído” para a realização do exercício que, acima de tudo,
reforçou a interoperabilidade entre as estruturas de comando na Região
Autónoma dos Açores – nomeadamente o COA e os Comandos das Zonas
Marítima, Militar e Aérea da Região – bem como a articulação com o
Comando Conjunto para as Operações Militares do Estado-Maior-General das
Forças Armadas. Testou, de igual modo, a prontidão e capacidade de
resposta do COA, como fez questão de frisar no final o Tenente-general
César Paulo Rodrigues. “É uma das mais-valias e uma das
responsabilidades da missão que me compete como Comandante Operacional
dos Açores é avaliar, testar, planear todo o treino operacional e o
emprego operacional das forças sedeadas nos Açores e das forças que são
projetadas do continente, sempre que seja necessário”, salientou o
Comandante Operacional dos Açores. As manobras militares
sucederam-se a três dias intensivos de exercícios na ilha de São Miguel
que tiveram como objetivo treinar, testar e avaliar procedimentos de
resposta às missões no âmbito da Defesa Militar na Região Autónoma dos
Açores e que envolveram cerca de 120 militares, não apenas da Região,
mas também envolvendo militares provenientes da Madeira e do território
continental português. “Trata-se de um exercício importante para o
COA. É um exercício que, na realidade, permite preparar melhor os
nossos efetivos, os nossos contingentes, as forças da Marinha, do
Exército e da Força Aérea que são atribuídas ao nosso COA para cumprir
missões”, acrescentou o General José Nunes da Fonseca. Na ocasião, o
CEMGFA recordou que a missão de defesa do país também acontece nas
chamadas missões de apoio militar a emergências civis e, a este
propósito, revelou que aquando da passagem do furação Gabrielle pelos
Açores, as Forças Armadas estavam prontas para intervir, prestando o
apoio que fosse necessário. “Felizmente, aquela catástrofe que
estava previamente anunciada não teve tanta gravidade, que foi o último
furacão que por aqui passou. Também já estávamos preparados para
intervenções, no sentido de apoiar as populações após a passagem deste
evento com algum dramatismo”, disse o o General José Nunes da Fonseca. A
este propósito, o CEMGFA salientou que as Forças Armadas realizam,
anualmente, um exercício do género com o Serviço Regional de Proteção
Civil e Bombeiros dos Açores.Após as manobras militares, que foram
assistidas pelos mais altos representantes da Região (desde o
Representante da República para os Açores, Pedro Catarino, presidente do
Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, e o presidente da
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Luís Garcia, entre
outros), seguiu-se uma visita a uma exposição representativa das
capacidades e meios das Forças Armadas na Região, que esteve patente ao
público durante o dia de ontem no Terminal de Cruzeiros das Portas do
Mar. Bolieiro destaca importância das Forças Armadas O
presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro,
sublinhou a importância da presença militar no arquipélago, destacando o
papel das Forças Armadas na segurança e no apoio às populações.“As
Forças Armadas são verdadeiros parceiros dos Açores. Estão sempre onde é
preciso, com dedicação e sentido de missão”, afirmou o líder do
executivo regional. Em nota de imprensa, José Manuel Bolieiro
salientou também a relevância estratégica dos Açores no contexto
nacional e europeu, referindo que o arquipélago “acrescenta valor a
Portugal e à União Europeia pela sua posição no Atlântico e pelas
responsabilidades que daí decorrem em matéria de segurança e defesa”.