Executivo vai levar proposta de redução do IRC à AR à margem do Orçamento do Estado
Governo
17 de jun. de 2025, 16:39
— Lusa/AO Online
Durante
o debate do programa do Governo, no parlamento, o ministro de Estado e
das Finanças afirmou, em resposta ao Chega, que o Governo terá
"oportunidade de trazer a este parlamento" a proposta de redução da taxa
de IRC, "fora do Orçamento de Estado", tal como foi feito no Orçamento
de 2025. No programa de Governo, o
executivo confirma a intenção de diminuir as taxas de IRC, de forma
gradual até aos 17% até ao final da legislatura.Em
resposta ao líder parlamentar do CDS-PP, Joaquim Miranda Sarmento
reiterou que o Governo só irá decidir se vai voltar a dar um suplemento
extraordinário aos pensionistas "quando a execução orçamental tiver
números mais concretos" e o executivo consiga, deste modo, "perspetivar
melhor o ano". Num pedido de
esclarecimento, o porta-voz do Livre Rui Tavares lamentou o foco da
discussão política na questão da imigração, enfatizando que o excedente
orçamental do país se deve, em grande parte, às contribuições dos
imigrantes em Portugal, e questionou ainda o ministro das Finanças sobre
os motivos para não estar a ser discutida a redução do IVA.Na
réplica, Miranda Sarmento defendeu que o Governo tem como prioridade
descer o IRS, argumentando que a redução do IVA “não se reflete, pelo
menos na sua totalidade, na descida dos preços” uma vez que “há um parte
que é capturada por aqueles que produzem e vendem esses bens e
serviços”.O socialista Miguel Costa Matos
pediu esclarecimentos sobre “uma misteriosa noção sintética de IRS para
corrigir subtributações” que consta no programa de Governo, questionando
sobre se esta proposta terá como objetivo tributar rendimentos como
bolsas ou apoios sociais. Perguntou também o executivo sobre se “vai
fazer uma política fiscal para todos” ou “continuar ter uma política
fiscal apenas para alguns”.Miranda
Sarmento respondeu ao deputado do PS acusando os anteriores Governos
socialistas a implementar propostas como IRS Jovem e passes sociais
“para alguns” e que com o executivo da AD esses benefícios passaram a
ser “para todos”.O ministro das Finanças
disse ainda notar na intervenção de Costa Matos “algumas saudades do
tempo” em que o PS e o Chega faziam acordos para “aprovar medidas
contrárias àquilo que o Governo decidia”.