Executivo Regional manifesta "abertura" para receber mais 80 enfermeiros em agosto
21 de jul. de 2020, 09:18
— Lusa/AO Online
O presidente do Conselho
Diretivo da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, Pedro
Soares, que se reuniu hoje com o presidente do Governo dos Açores, Vasco
Cordeiro, declarou à saída da audiência, em Ponta Delgada, que na
região, “com cerca de 80 enfermeiros consegue-se resolver o imediato” e
“pensar com mais segurança o que pode ser o pós-covid-19, ou, pelo
menos, estar mais seguros no combate face a uma segunda vaga”. Pedro
Soares, que referiu que nos Açores existem 2.164 enfermeiros, disse que
existe por parte do executivo açoriano “abertura para a contratação de
80 novos enfermeiros, até meados de agosto”.Este
valor corresponde ao número de profissionais que irão sair das duas
escolas superiores de enfermagem dos Açores, de acordo com o responsável
nos Açores pela Ordem dos Enfermeiros, que apontou que os hospitais de
Ponta Delgada e Horta “estão com défices muito maiores” de
profissionais.Sendo as unidades de saúde
de ilha uma das “grandes preocupações”, Pedro Soares pretende que os
novos enfermeiros sejam integrados “o mais rapidamente possível, porque
são eles que estão a fazer as triagens da covid-19”, uma vez que as
equipas no terreno “já apresentam um cansaço muito elevado”.O
presidente do Conselho Diretivo da Secção Regional dos Açores da Ordem
dos Enfermeiros defendeu a criação de um “corredor covid-19” na região,
separado das outras patologias que em nada estão relacionadas com a
pandemia.“Hoje em dia existe este cuidado
de separação, sendo, contudo, difícil, tendo em consideração os recursos
humanos existentes, que esta tenha lugar", sendo que "em algum dia ou
situação haverá algum tipo de cruzamento, nem que seja acidental”,
declarou o responsável.O presidente da
Direção Regional dos Açores do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses,
Francisco Branco, que também foi hoje recebido pelo presidente do
Governo Regional, considerou que saiu do encontro tal como entrou em
relação aos “dois problemas graves” com que a classe se confronta.Gostaria
de os ver solucionados antes do final da legislatura nos Açores, que
termina em outubro com novas eleições legislativas regionais.O
dirigente especificou que uma questão prende-se com os enfermeiros que
exercem nos hospitais dos Açores com contrato individual de trabalho,
desde 2007, altura em que foram estas unidades transformadas em empresas
públicas, não beneficiando das regras da função pública, e estando
“sempre, onde vão manter-se”, no primeiro escalão da carreira.O
sindicato reivindica que a estes profissionais seja considerado o tempo
de serviço até 2020, sendo que nos três hospitais dos Açores 50% dos
enfermeiros encontram-se nesta situação, enquanto os restantes colegas
dos centros de saúde estão enquadrados na função pública.A
segunda questão prende-se com a contagem do tempo retroativo de
trabalho dos enfermeiros, entendendo a Secretaria Regional da Saúde que
“só conta o tempo desde 2014, sem argumento legal ou suporte jurídico
para esta decisão”.