Executivo promete "firmeza" na atuação perante "graves problemas" na SATA
Açores/Governo
4 de dez. de 2020, 15:40
— Lusa/AO Online
"O Governo Regional afirma
que a SATA é de superior interesse regional. O nosso compromisso é
promover a sua solvência e, em articulação com as autoridades europeias
que aprovarão o seu plano de reestruturação, manter a empresa
financeiramente resgatada e os seus serviços públicos essenciais",
considera o Governo dos Açores, no capítulo do Programa destinado aos
transportes na região.O executivo, formado
por PSD, CDS e PPM, compromete-se "a manter uma gestão
profissionalizada" da empresa, "nunca confundindo o exercício de tutela
com a ingerência política na sua gestão diária". Uma
das medidas de bandeira passa pelo "objetivo estratégico" de reduzir o
preço das passagens aéreas interilhas para residentes, "com a
implementação da Tarifa Açores, que apresenta um preço máximo de até 60
euros, para uma viagem de ida e volta entre todas as ilhas da região". A
Tarifa Açores, medida que já constava do programa com que o PSD se
apresentou a eleições, "será incluída na revisão do caderno de encargos
do próximo concurso público de concessão do serviço público de
transporte aéreo de passageiros e carga interilhas". A
medida, "verdadeiramente estruturante, será um dos aceleradores para o
mercado interno, para a mobilidade dos açorianos e para um melhor
conhecimento dos Açores pelos açorianos"."Isto é a verdadeira coesão regional", advoga o executivo regional.E
prossegue o Programa de Governo: "Através do reforço das compensações
do serviço público e com ganhos de eficiência operacional, é possível
reduzir a tarifa, sem agravar a situação económica da SATA, conciliando
este objetivo com a inevitável reestruturação financeira da nossa
companhia aérea". As duas
transportadoras aéreas do grupo SATA fecharam o primeiro semestre com
prejuízos de cerca de 42 milhões de euros, que comparam com perdas de
33,5 milhões no período homólogo.De acordo
com as demonstrações financeiras das empresas públicas regionais, é
referido que a Azores Airlines (que opera de e para fora do arquipélago)
teve prejuízos de 34,5 milhões de euros entre janeiro e junho, ao passo
que a SATA Air Açores, que voa no arquipélago, teve perdas de 7,6
milhões de euros.Todavia, em 2019, os
prejuízos globais do grupo haviam já sido de 53 milhões de euros, valor
em linha com a perda registada em 2018.No
que refere ao transporte marítimo, o executivo "avaliará as atuais
obrigações de serviços público e o modelo existente, mediante o estudo
de alternativas técnica e economicamente mais vantajosas para todas as
ilhas"."Não podemos arriscar ter qualquer
ilha isolada, inacessível, em compasso de espera, no abastecimento de
bens essenciais, ou na exportação das suas produções ou produtos de
valor acrescentado, como recentemente aconteceu nas ilhas das Flores e
do Corvo", é dito.Sobre os efeitos do
furazão Lorenzo, que devastou em 2019 o porto das Lajes das Flores, o
Governo dos Açores diz que a construção de um novo porto na ilha do
grupo Ocidental "tem de ocorrer num horizonte temporal menos dilatado do
que o previsto atualmente", e até lá será alterado o modelo em vigor
para o abastecimento do Corvo - ilha vizinha das Flores - por via
marítima."O atual modelo mostrou-se
incapaz, ao longo do último ano, de restabelecer o abastecimento
marítimo regular desta ilha, que chegou a estar 50 dias sem ser
abastecida por via marítima. Por isso, o Governo [Regional]concretizará
uma solução que permita restabelecer a regularidade do transporte
marítimo de mercadorias para a ilha do Corvo", diz o texto do executivo
açoriano. O Programa do XIII Governo dos
Açores foi entregue na Assembleia Legislativa da região e será
discutido e votado na próxima semana.