Execução do PRR “está a decorrer bem, dentro das limitações globais que existem”
14 de jul. de 2023, 17:17
— Lusa
Uma
auditoria do TdC, divulgada na quinta-feira, revela que os Açores
cumpriram 57 dos 88 marcos e metas do PRR para 2022 e que os
constrangimentos estão “maioritariamente relacionados com fatores
externos”.“É um relatório do TdC, que vem
dar nota […] que a execução do PRR, tal como o Governo [Regional] tinha
vindo a dizer, está a decorrer bem, dentro das limitações globais que
existem. É o próprio TdC que diz que aquilo que não está ainda cumprido
tem a ver com fatores externos”, disse Duarte Freitas à agência
Lusa.Segundo o titular da pasta das
Finanças nos Açores, foi pela razão dos fatores externos “que também
Portugal e a União Europeia consideraram a necessidade de fazerem uma
reprogramação, algo que não estava previsto de início”.“Estamos
convictos que, com esta reprogramação e com a diminuição da pressão
desses fatores negativos externos, facilmente vamos cumprir aquilo que é
a nossa obrigação no âmbito dos compromissos com o PRR”, vaticinou.Nas
declarações à Lusa, na Horta, na ilha do Faial, à margem da sessão da
Assembleia Legislativa dos Açores, o governante também apontou “que a
lógica de execução do PRR não tem a ver, ou nada tem a ver, com a
execução financeira, porque, muitas vezes, o cumprimento de um marco ou
de uma meta tem a ver com um diploma legal ou tem a ver com o lançamento
do concurso”.“Razão pela qual fazermos
uma análise em relação ao PRR como se faz em relação aos programas
operacionais de percentagem, de execução financeira, não faz sentido,
porque, boa parte das metas não tem a ver com esta lógica financeira,
mas com o cumprimento de um conjunto de ações”, justificou.Em
relação à execução global do PRR, Duarte Freitas disse estar satisfeito
porque já se cumpriu “um conjunto de marcos e metas muito vasto”, por o
TdC reconhecer “que aquilo que não foi cumprido tem a ver com fatores
externos” e também por admitir que com a reprogramação e a diminuição
das pressões externas “tudo vai correr da melhor forma para a execução”.Segundo
o relatório da auditoria, disponível na página da Internet do TdC, “de
um modo geral, a concretização dos investimentos foi afetada por
constrangimentos maioritariamente relacionados com fatores externos,
designadamente com a pressão inflacionista e com dificuldades de
obtenção de matérias-primas no mercado mundial". O
TdC considera, no entanto, "expectável que o ano de 2023 continue a ser
marcado pela guerra na Ucrânia", antecipando "dificuldades de
abastecimento nas cadeias de valor, com prazos de entrega mais
dilatados”, aconselhando por isso que sejam “equacionadas medidas para a
sua superação, incluindo a recalendarização e/ou redefinição dos marcos
e metas”.Com uma dotação de 580 milhões
de euros e um prazo de execução até 2026, o Plano de Recuperação e
Resiliência nos Açores prevê 228 marcos e metas, dos quais 88 deveriam
ter sido alcançados até 31 de dezembro de 2022.Segundo o Tribunal de Contas, “apenas 57 foram considerados ‘completos’”, o que equivale a “64,77% do total”.