Excesso de peso e obesidade infantil diminuem Portugal mas ainda atinge 30% das crianças
19 de out. de 2021, 10:44
— Lusa/AO Online
Neste
período, verificou-se uma redução de 8,2 pontos percentuais na
prevalência de excesso de peso em crianças dos seis aos oito anos (de
37,9% em 2008 para 29,7% em 2019) e de 3,3% na obesidade infantil (de
15,3% para 11,9%, respetivamente), segundo o estudo COSI Portugal,
sistema de vigilância nutricional infantil integrado no estudo Childhood
Obesity Surveillance Initiative da OMS/Europa, coordenado pelo
Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).Os
dados mais recentes da 5.ª ronda do COSI, que confirmam a tendência da
diminuição da prevalência deste problema em Portugal, foram apresentados
na primeira “Conferência do Centro Colaborativo da Organização Mundial
de Saúde em Nutrição e Obesidade Infantil”, que está a decorrer no INSA,
em Lisboa, e que visa assinalar cinco anos de colaboração do Instituto
com a OMS. “Desde 2008 temos vindo a
mostrar uma tendência invertida na prevalência e excesso de peso e
obesidade infantil em todas as regiões”, disse à agência Lusa Ana Rito,
investigadora do INSA e coordenadora do estudo que envolve 44 países e
que estuda mais de meio milhão de crianças a cada três anos.Ana
Rito observou que, na primeira ronda do estudo em 2008, Portugal era o
segundo país com maior prevalência de excesso de peso e obesidade
infantil e agora “está exatamente na média europeia”.
“Foi um progresso absolutamente positivo e naturalmente o país está a
parabéns, mas continuamos com uma em cada três crianças a sofrer deste
problema de excesso de peso” que rapidamente pode progredir para
obesidade, alertou. Segundo o estudo, os
Açores (35,9%), a Madeira (31,7%) e o Norte (31,3%) foram as regiões
que apresentaram maiores prevalências de excesso de peso e o Algarve a
menor (21,8%). As maiores prevalências
de obesidade infantil foram observadas nas regiões Norte (12,3%), Centro
(13,4%), na Madeira (13,7%) e nos Açores (17,9%) e a menor no Alentejo
(9,6%).A prevalência do excesso de peso e a
obesidade infantil é mais prevalente nos rapazes (29,6% - 13,2%) do que
nas raparigas (29,7% - 10,6%), respetivamente. Tal
como verificado nas rondas anteriores, a prevalência de obesidade
infantil aumenta com a idade, atingindo 15,7% das crianças de 8 anos,
incluindo 4,9% de obesidade severa, e 10,7% das crianças com seis anos,
2,6% das quais com obesidade severa.Relativamente
à prevalência de baixo peso, os dados indicam que "se tem mantido sem
expressão e constante nos últimos oito anos, apesar da grave crise
económica vivida em Portugal nesta década".O
estudo afirma que a “evolução positiva [de Portugal], e ainda pouco
frequente em outras regiões internacionais, pode resultar de várias
iniciativas conduzidas pelo Estado Português, pelos profissionais do
Serviço Nacional de Saúde e partes interessadas nesta matéria”. O
COSI Portugal envolveu 8.845 crianças de 228 escolas do 1.º Ciclo do
Ensino Básico, no ano letivo 2018/2019, a maior amostra de todas as
fases decorridas até ao momento. Foram
mais de 8.000 famílias portuguesas convidadas a participar neste estudo
que tem servido para o desenvolvimento de políticas nacionais e
regionais, disse Ana Rito, exemplificando que a taxa aplicada aos
refrigerantes teve como suporte os dados do COSI que fazem “uma
fotografia grande” das em variáveis ao nível do consumo alimentar
infantil, da prática de atividade física e de outras variáveis
relacionadas com o ambiente familiar e escolar.