Ex-vice-presidente do PE Eva Kaili confessa que sabia ter muito dinheiro em casa
20 de dez. de 2022, 14:09
— Lusa/AO Online
A eurodeputada
socialista grega está detida há mais de uma semana, estando agendada
para quinta-feira uma audiência no Tribunal de primeira instância de
Bruxelas para decidir se a política se mantém em prisão preventiva.As
autoridades judiciais já ordenaram que os outros dois acusados no
âmbito do escândalo conhecido como ‘Qatargate’ – o companheiro de Eva
Kaili, Francesco Giorgi, que já reconheceu, em declarações à polícia, a
sua participação no esquema de corrupção, e o ex-eurodeputado italiano
Pier Antonio Panzeri – sejam mantidos em prisão preventiva.Segundo
a edição de hoje do jornal Le Soir, que teve acesso à investigação, Eva
Kaili admitiu aos investigadores que pediu ao seu pai para esconder
parte dos milhares de euros que estavam na sua casa, tendo uma mala com
dinheiro sido levada para o hotel Sofitel, onde estava alojado o
progenitor da eurodeputada.Foi
precisamente o papel do pai de Kaili que permitiu à polícia belga
(responsável pela condução da investigação) atuar, apesar da imunidade
conferida na altura à vice-presidente do PE, já que foi considerado que
estava a cometer um flagrante delito.Francesco
Giorgi, a quem o tribunal confirmou a prisão preventiva no dia 14,
confessou, perante o juiz de instrução, a sua participação numa
organização que alegadamente recebia subornos do Qatar e de Marrocos
para ter benefícios políticos e económicos na União Europeia (UE).Os
investigadores consideraram o ex-eurodeputado socialista Pier Antonio
Panzeri como o líder do esquema, referindo que terá usado a organização
não-governamental (ONG) Fight Impunity (Lutar Contra a Impunidade, na
tradução em português) para chegar a eurodeputados e membros
“honorários”, incluindo o ex-comissário europeu das Migrações e Assuntos
Internos, o grego Dimitris Avramopoulos, e a ex-Alta Representante da
UE para a Política Externa, a socialista italiana Federica Mogherini.A
mulher e a filha de Panzeri foram detidas em Itália por alegado
envolvimento no caso de corrupção e a justiça italiana autorizou a
extradição da primeira para a Bélgica, onde as autoridades suspeitam que
teve um papel ativo no esquema.A defesa da mulher de Panzeri anunciou, no entanto, que vai recorrer da decisão, avançou a imprensa italiana.Além
disso, de acordo com o jornal Le Soir, tanto Giorgi quanto Panzeri
referiram, nas suas declarações, o envolvimento do eurodeputado
socialista belga Marc Tarabella, que já foi interrogado pela polícia e
teve a sua casa revistada, mas que permanece em liberdade.